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Atualizado às: 20 de julho, 2007 - 20h40 GMT (17h40 Brasília)
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Projeto Xingu: No Coração do Brasil
Fotos: Sue Cunningham

Sue e Patrick Cunningham estão realizando uma incrível aventura pelo coração do Brasil. Os dois ingleses começaram, no dia 2 de abril, a navegar com um pequeno barco por toda a extensão do rio Xingu.

Eles calculam que a viagem dure entre quatro e cinco meses e esperam observar como os povos indígenas da região estão vivendo e também avaliar o impacto das mudanças provocadas pelo homem e pelo aquecimento global em uma das maiores reservas naturais do mundo.

Regularmente, Sue e Patrick vão se comunicar com a BBC Brasil por meio de um telefone via satélite para relatar a sua aventura e responder algumas perguntas dos internautas

Mande seu comentário no quadro ao lado e acompanhe aqui nesta página a aventura.

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De São Félix a Paquissamba (por Patrick Cunningham)

De São Félix do Xingu nós seguimos rio abaixo. Um dia longo no coração do Brasil nos levou a uma curta distância da aldeia de Parakanã do Xingu, onde fizemos uma curta visita antes de irmos para Apyterewa, também de Parakanã.

Estas aldeias ficam no que hoje é a reserva Apyterewa. Na época em que a reserva foi demarcada, uma grande parte tinha sido ocupada por colonos e rancheiros, e as equipes que faziam a demarcação física foram ameaçadas por atiradores dos ranchos.

Patrick na beira do rio
Aventureiros toparam com rio traiçoeiro e barqueiro despreparado

Os índios hoje não podem entrar em partes da reserva, onde eles ainda encontram trabalhadores armados. Esforços das autoridades para retirar os ocupantes ilegais, até agora, não foram bem-sucedidos.

Continuamos em frente para visitar as aldeias de Araweté, Asurini e Arara e a aldeia kayapó de Kararaô, antes de chegar a Altamira.

Depois de passar a noite na cidade, seguimos para visitar nossa última aldeia, deixando Altamira por volta das 10h da manhã para uma viagem que, nosso barqueiro nos garantiu, levaria três horas. Nosso plano era voltar no mesmo dia.

Passamos por sistemas de dragas de ouro mal-construídas, que retiravam sedimentos no rio em sua busca ilegal pelo metal amarelo. Também vimos vários garimpos na margem do rio.

O rio aqui é traiçoeiro, com muitas corredeiras e pedras. Mais de uma vez o fundo do barco raspou de forma preocupante nas pedras. Doto, nosso barqueiro, reagiu rapidamente para levantar e tirar o motor da água.

Gradualmente percebemos que ele estava procurando o canal correto; percebemos que suas garantias de que ele conhecia o rio não eram baseadas em fatos. Conforme o tempo passava, ficou claro que ele não apenas não sabia qual era o canal correto, mas ele também não tinha a menor idéia da localização da aldeia.

 Estes jurunas falam apenas português; lá resta apenas um casal mais idoso da comunidade que consegue falar o idioma juruna. Eles perderam suas tradições de dança, pintura corporal e fabricação de cerâmica e eles não mantém mais as tradições tribais de canto e celebrações. Eles vivem em casas mais parecidas com as dos vizinhos ribeirinhos...

Neste ponto o rio tem cinco quilômetros de largura, um labirinto de ilhas, rochas, bancos de areais e corredeiras. Nosso avanço se arrastava. Em certo momento, cruzamos com outro barco, cujo tripulante conseguiu dar informações para Doto; estávamos do lado errado de uma grande ilha e tínhamos que seguir novamente pelo nosso caminho por vários quilômetros - ainda muito devagar - e encontrar a aldeia do outro lado.

Passamos por várias corredeiras e acabamos sem saída. Voltamos pela água revolta e eu estava pronto para pedir uma parada e voltar para Altamira. Agora já passava das 15h, então estávamos a caminho de uma noite sem conforto em algum lugar, sem abrigo; não havia tempo bastante para retornar durante o dia e as corredeiras eram perigosas demais para tentarmos a navegação durante a noite.

Viramos mais uma vez, seguindo rio abaixo, procurando uma forma de cruzar novamente um canal mais largo que tínhamos passado há algum tempo. Percebi que havia um grande fluxo de água, isso ainda era perto da margem do rio onde está a aldeia. Seguimos o fluxo, passamos por uma curva do rio - e lá estava a coleção de canoas!

A aldeia leva o mesmo nome de outra que também visitamos no Parque Indígena do Xingu; Paquissamba. Como seu homônimo, é ocupado por índios jurunas; mas a semelhança acaba aí.

 O telhado da escola está desabando, então as crianças têm aulas em uma barraca, aberta dos lados, do lado oposto ao posto de saúde. Durante nossa visita não havia água devido a um problema com a bomba do poço.

Estes jurunas falam apenas português; lá resta apenas um casal mais idoso da comunidade que consegue falar o idioma juruna. Eles perderam suas tradições de dança, pintura corporal e fabricação de cerâmica e eles não mantém mais as tradições tribais de canto e celebrações. Eles vivem em casas mais parecidas com as dos vizinhos ribeirinhos do que com aquelas usadas por seus familiares no Parque Indígena do Xingu.

Viemos trazendo uma mensagem do cacique de Tuba Tuba, a maior das tradicionais aldeias jurunas no Parque Indígena do Xingu. Ele enviou um vaso tradicional juruna com os mesmos desenhos que eles usam em pinturas corporais. Ele nos pediu para entregar também um convite aos jurunas do Pará para visitarem sua aldeia.

O convite foi recebido por Manoel, o cacique de Paquissamba, com uma mistura de prazer e vergonha; ele estava muito feliz por receber o convite, mas estava envergonhado, pois não podia falar o idioma juruna, não sabia nenhuma das danças ou canções. Garantimos a ele que ele não tinha necessidade de ficar envergonhado, pois o convite era de coração. Ele prometeu que ele iria atender ao convite se tivesse oportunidade.

Ficamos durante a noite na pequena aldeia, que se estende colina acima a partir da margem do rio, uma coleção de casas sujas de madeira, algumas delas foram abandonadas por seus moradores que foram viver em outro lugar. O telhado da escola está desabando, então as crianças têm aulas em uma barraca, aberta dos lados, do lado oposto ao posto de saúde. Durante nossa visita não havia água devido a um problema com a bomba do poço.

Dentro das casas as pessoas tinham mais bens materiais do que estávamos acostumados a ver; móveis, televisões, DVDs, aparelhos de som, fogões, talheres e louças. As casas tinham a aparência mais distante da cultura dos índios, mais do que em qualquer outra aldeia que visitamos.

Descobrimos que a aldeia queria se envolver mais em produção agrícola; cacau, pimenta do reino e até gado. Mas a aldeia é isolado e tem pouco acesso aos materiais e conhecimentos necessários para estabelecer estas atividades.

De uma forma estranha foi adequado que a última aldeias que visitamos deveria ser o mais próximo da cultura brasileira vigente; esta foi nossa transição de volta à vida brasileira.

Voltamos para Altamira no dia seguinte, pois existem cascatas intransponíveis um pouco abaixo no rio. A viagem de volta levou pouco mais de quatro horas e foi bem menos movimentada do que no dia anterior.

A expedição Coração do Brasil é patrocinada por: Royal Geographical Society, Rainforest Concern e Artists Project Earth.

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