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Projeto Xingu: No Coração do Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Sue e Patrick Cunningham estão realizando uma incrível aventura pelo coração do Brasil. Os dois ingleses começaram, no dia 2 de abril, a navegar com um pequeno barco por toda a extensão do rio Xingu. Eles calculam que a viagem dure entre quatro e cinco meses e esperam observar como os povos indígenas da região estão vivendo e também avaliar o impacto das mudanças provocadas pelo homem e pelo aquecimento global em uma das maiores reservas naturais do mundo. Regularmente, Sue e Patrick vão se comunicar com a BBC Brasil por meio de um telefone via satélite para relatar a sua aventura e responder algumas perguntas dos internautas Mande seu comentário no quadro ao lado e acompanhe aqui nesta página a aventura. Anteriores: Festas (por Patrick Cunningham) Nós chegamos em tempo de participar do festival de Taquara. Tivemos sorte de poder repetir a experiência em outras dua aldeias após deixarmos Afukuri. Também assistimos ao festival de Beija-flor. O Taquara marca o final da temporada de chuvas e funciona para a tribo como um despertar para a felicidade. Cinco ou seis homens dançam por toda a aldeia tocando suas flautas tradicionais, se deslocando em movimentos rítmicos, batendo com os pés na terra para marcar o compasso. O colar de contas que eles levam amarrado ao tornozelo funciona como um instrumento de percussão. Em uma das aldeias, um grupo de meninos, que aprendem a tradição do Taquara, também dança tocando flautas. Na aldeia maior, Kuikuro, existem dois grupos de dançarinos. Na parte da tarde meninas adolescentes se juntaram aos homens para participar do ritual. Cada menina formava um par com cada homem. A festa de Beija-flor é bem maior e envolve toda a aldeia. Todos pintam o corpo e se enfeitam com penas de pássaros, contas e panos coloridos. Arifira, um dos homens da aldeia, soube que éramos ingleses e veio mostrar-nos seu cinto ostentando lado a lado a Union Jack (a bandeira da Grã-Bretanha) e a bandeira do Brasil, bordadas em contas. No cinto tem também a imagem de um coração, uma lua e várias estrelas. A festa entra pela noite. Um grupo de mulheres se aproxima e acaba levando Sue. Mais tarde a vejo dançando junto com os outros. Aos poucos ela vai entrando no ritmo. Em pouco tempo já está totalmente à vontade e já começo a confundi-la com os índios. Em Kuikuro nós encontramos a equipe que produziu o vídeo "O Dia Em Que a Lua Menstruou", vencedor de quatro prêmios internacionais. Apesar do título, é um vídeo bem gostoso de ver. O pessoal da produção estava com o corpo pintado e vários deles usavam cocares coloridos. Mais tarde visitamos o centro tecnológico cultural e pudemos conhecer o equipamento que utilizam. Foi difícil reconhecê-los sem os paramentos, com o corpo sem tinta, usando shorts e camisetas. Em seguida. fomos com um grupo assistir vídeos sobre o Kuarup, na oca do cacique. A maioria é de crianças e jovens. O Kuarup é o maior e mais importante festival dos índios do Xingu, e reúne diversas tribos. O Kuarup de verdade é realizado somente quando uma pessoa importante morre. Mas recentemente, alguns Kuarups extras têm sido realizados para que possam ser registrados pelas câmeras das equipes de cinema e TV que vez por outra visitam o Xingu. Apesar disso, o festival é realizado com todos seus rituais e as filmagens ajudam a divulgar e reforçar a cultura indígena. Os mais puristas acreditam que a presença de homens brancos acaba prejudicando a integridade dos rituais. Mas os próprios índios discordam. Eles se sentem felizes com o interesse de estrangeiros pela cultura deles. Para nós que não somos índios, a cultura indígena é um mistério. Mas eles conhecem bastante nossa cultura. Nós temos encontrado vários índios que sabem usar computador. Os mais novos vão à escola e aprendem português, matemática e geografia, além do curriculum indígena. Os adultos também podem freqüentar as aulas. Muitos deles têm muito interesse em aprender e ensinar o que sabem aos mais jovens. A maioria dos índios já visitou alguma cidade brasileira e para minha surpresa, um grande número já viajou ao exterior. O cacique Afukaka, da aldeia Kuikuro já esteve em Washington, Nova York e Canadá. Ele discursou no Banco Mundial e se encontrou com caciques de tribos da América do Norte. O cacique Lanoá Kamaiurá já esteve na França e na Bélgica e conhece melhor o Brasil do que muitos brasileiros. E logicamente, tenho que citar também o cacique supremo Aritana Yawalapití, chefe geral do Parque Nacional do Xingu, que já viajou intensamente. Por enquanto visitamos apenas as tribos do Alto Xingu, onde encontramos uma cultura sólida com gente bem informada, articulada, altamente inteligente e adaptável. Nos receberam em suas casas e abriram seus corações. Nos poucos dias que passamos em cada aldeia, fizemos amigos e construímos respeito mútuo. | LINKS EXTERNOS A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados. | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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