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Atualizado às: 10 de abril, 2007 - 19h40 GMT (16h40 Brasília)
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Projeto Xingu: No Coração do Brasil
Fotos: Sue Cunningham

Sue e Patrick Cunningham estão realizando uma incrível aventura pelo coração do Brasil. Os dois ingleses começaram, no dia 2 de abril, a navegar com um pequeno barco por toda a extensão do rio Xingu.

Eles calculam que a viagem vá durar entre quatro e cinco meses e esperam observar tanto como os povos indígenas da região estão vivendo como o impacto das mudanças provocadas pelo homem e pelo aquecimento global em uma das maiores reservas naturais do mundo.

Regularmente, Sue e Patrick vão se comunicar com a BBC Brasil por meio de um telefone via satélite para relatar a sua aventura e responder algumas perguntas dos internautas

Mande seu comentário no quadro ao lado e acompanha aqui nesta página a aventura.

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Preocupação com fronteiras (por Patrick Cunningham)

Estou escrevendo sentado no nosso barco, o "Coração do Brasil", ancorado ao lado do majestoso rio Culuene. Nossa localização é S12°25'65" O53°06'52''.

O sol está brilhando, os pássaros cantam e nosso barqueiro está se barbeando. Uma barca com materiais para a construção de três poços em vilarejos indígenas está passando perto. É provável que este seja o único barco que vejamos hoje.

Nós finalmente partimos de Canarana no dia 3 de abril, uma semana depois do planejado. Fora do parque nós encontramos pouco deflorestamento perto do rio. De repente, o barqueiro desligou o motor e apontou. As árvores estavam chacoalhando, vimos a forma de alguma coisa preta pendurada nas árvores. Era um macaco aranha que observava, indolente, o nosso progresso.

Rio abaixo, chegamos ao posto de vigilância onde uma família de índios Kalapalo controla a entrada do parque. O chefe do posto é Vanité, e sua maior preocupação é com os pescadores, muitos dos quais tentam entrar no parque.

Às vezes, são agressivos. Ele diz que os pescadores usam redes para varrer o rio todo, capturando imensas quantidades de peixe indiscriminadamente, matando os jovens e reduzindo o número de peixes ao longo do rio. Ele também fala de sua preocupação com a futura represa Paratinga II, de que ouvimos falar onde quer que estejamos.

Os Kalapalo fazem colares de conchas e braceletes que vendem para outras tribos em troca de mercadorias de que precisam.

Eles também os vendem como artesanato para ganhar o dinheiro necessário para comprar outros produtos. Os preços parecem mínimos se comparados às horas de trabalho envolvidas.

No pequeno assentamento, somos recebidos calorosamente após mostrarmos a autorização da Funai (Fundação Nacional do Índio) e explicarmos o objetivo da nossa viagem. Partimos com dois tripulantes extras: mais um barqueiro e o piloto de uma barca que, tendo chegado tarde durante a noite, decidiu partir sozinha quando a corda que a prendia se soltou.

Nós alcançamos a barca errante vários quilômetros rio abaixo. Passamos por dois assentamentos pequenos, parando brevemente em um deles, antes de arrastarmos o barco para uma praia bonita para pescar. Isso é importante, não devemos chegar ao nosso destino de mãos vazias e o presente mais valioso é peixe. Os barqueiros são bem-sucedidos e nós zarpamos com três peixes de bom tamanho.

Logo chegamos a Tanguro, o primeiro vilarejo grande, também dos Kalapalo. As pessoas aqui estão preocupadas com as pressões dos grileiros que tentam ocupar terras dos índios. Eles acham que a Funai não está colocando recursos suficientes no policiamento das fronteiras da reserva.

O vice-cacique Luís também se preocupa porque acha que os jovens do vilarejo estão perdendo sua cultura. O lugar parece um pouco triste e maltratado.

Passamos a noite em Afukuri, o primeiro vilarejo Kuikuro a alcançarmos. Um vilarejo mais perfeito seria difícil de imaginar! Localizado em uma ribanceira baixa, o círculo de casas tradicionais com telhado de palha é limpo e bem cuidado. Nós explicamos de novo por que viemos e o cacique Arifutua nos dá as boas-vindas. Ele nos convida a pendurar nossas redes na sua casa.

A vila desperta devagar, com a madrugada. O choro baixo das crianças se aquieta rapidamente, elas nunca são deixadas chorando por muito tempo. Nos banhamos na água fresca do rio, evitando as picadas dos insetos tanto quanto possível. Parecemos muito mais vulneráveis às mordidas do que as pessoas do vilarejo, será o nosso "sangue novo" ou eles têm uma imunidade? Sue está sofrendo mais do que eu, mas meus pés estão cobertos de marcas vermelhas, duas delas sangrando levemente.

Nós visitamos a escola da vila e conhecemos o posto de saúde: rudimentar, mas bem cuidado. Conhecemos o técnico de saúde do posto, orgulhoso do certificado que obteve ao terminar seu curso. Ele é do vilarejo, assim como os dois professores.

A escola funciona de um jeito ligeiramente diferente do que estamos acostumados. Não há horários regulares e alguns alunos trazem seus bebês e alimentam suas crianças sentados em suas cadeiras, mas os alunos querem muito aprender e a escola se encaixa na vida do vilarejo naturalmente.

Somos convidados a ir à casa do flautista-chefe, onde cinco jovens estão sendo preparados para o festival da Taquara. Eles fazem um círculo em torno do vilarejo, entrando em cada uma das casas com suas flautas para acordar a vila depois da estação chuvosa. Eles chamam a atenção com o corpo coberto de pinturas, com desenhos intricados no rosto e cocares de penas com cores chamativas. Eles parecem muito exóticos quando dançam, balançando seus corpos e batendo os pés, tocando uma melodia ritmada enquanto vão de casa em casa.

Nós os encontramos quando entram na casa do cacique. Dão uma volta pela casa, depois fazem uma pausa. Um começa a falar comigo: "Patrick, você gosta da cerimônia?" Com um sobressalto, eu percebo que é o técnico de saúde. Apesar de sua educação fora do vilarejo, ele ainda mantém os vínculos com a tradição e a cultura do seu povo.

Antes de partirmos, o professor pede o nosso endereço de e-mail: "Vou fazer um outro curso na cidade em janeiro e vou poder escrever para vocês de lá."

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