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Lamy: Falha da OMC é 'sinal ruim' para economia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, disse nesta segunda-feira que o fracasso das negociações para liberalização do comércio mundial “manda um sinal negativo” sobre a evolução da economia global. As negociações da chamada Rodada de Doha da OMC foram suspensas nesta segunda-feira após os seus principais negociadores não conseguirem avançar na tentativa de chegar a um acordo básico. As reuniões de emergência dos últimos dois dias na sede da organização, em Genebra, não foram suficientes para superar os impasses que já duram vários meses. Após o anúncio da suspensão, os principais negociadores se acusaram mutuamente pelo fracasso. Troca de farpas O comissário de comércio da União Européia, Peter Mandelson, disse que “todos” mostraram flexibilidade nas negociações, “exceto os Estados Unidos”. Segundo ele, “os Estados Unidos não se mostraram dispostos ou capazes de mostrar qualquer flexibilidade na questão dos subsídios agrícolas”. A secretária de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, por sua vez, disse que seu país poderia aumentar o corte de seus subsídios, mas que voltou atrás em sua proposta ao perceber que os demais grupos negociadores não abririam seus mercados. “Oferecemos flexibilizações significativas na posição americana, condicionadas a que os outros oferecessem um acesso adicional ao mercado”, disse Schwab. “Quando começamos a negociar, ficou claro que ninguém havia mudado de posição.” Buscar culpados
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse que não seria “produtivo” buscar culpados para o fracasso nas negociações, mas admitiu que o tema dos subsídios agrícolas – área em que os Estados Unidos se mostravam mais sensíveis – foi o principal fator que emperrou o diálogo. “Não vou cair na tentação de buscar culpados, mas temos que reconhecer que a área em que estávamos mais atrás eram as ajudas domésticas”, disse Amorim. Para Amorim, a suspensão das negociações da Rodada de Doha representa um “grande retrocesso”. O diretor-geral da OMC afirmou que após o fracasso das reuniões em Genebra, os 149 países-membros da organização “precisam fazer frente às suas responsabilidades” e afirmou que “as consequências econômicas (da suspensão) não serão vistas imediatamente, mas serão vistas logo”. “Isso afetará o ambiente geopolítico global”, disse ele. Data-limite A suspensão das negociações significa na prática que não será possível chegar a um acordo final antes do fim do ano, considerada a data-limite para as negociações pelos americanos. Isso porque o mandato do presidente americano para firmar pactos de livre comércio sem a necessidade de discutir ponto por ponto no Congresso, o chamado fast track, termina em julho do ano que vem. Para que seja possível aprová-lo em tempo, o acordo final da Rodada Doha teria que ser firmado até o final do ano. Admitindo que a suspensão pode significar a morte efetiva das negociações globais de livre comércio, Lamy disse que cabe aos membros da OMC decidir quando eles estariam prontos a retomar o diálogo e que isso pode levar tempo. As negociações da Rodada Doha foram iniciadas na capital do Catar em 2001 e deveriam ter sido concluídas em 2004. Seu objetivo é tornar possível a liberalização do comércio mundial agrícola, industrial e de serviços. Para Lamy, cabe agora aos membros mais ricos da OMC manter o processo de negociações vivo. "Perdemos uma oportunidade muito importante de mostrar que o multilateralismo funciona", disse. Entre a UTI e o necrotério O ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, ao ser questionado sobre quanto tempo poderia durar a suspensão, disse: “Qualquer coisa entre meses e anos”. “A rodada não está morta. Mas eu diria que ela definitivamente está entre a terapia intensiva e o crematório”, disse. Celso Amorim, por sua vez, disse não querer “dar a impressão de que tudo está perdido”. “Não nos desesperaremos, mas há um desapontamento que não pode ser compensado por nenhum acordo bilateral ou regional. Não há substitutos para a OMC ou para o sistema multilateral do comércio”, disse o chanceler brasileiro. Participaram da reunião em Genebra representantes de Austrália, Brasil, União Européia, Índia, Japão e Estados Unidos. |
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