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Lula cobra de Bush decisão sobre Rodada Doha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta segunda-feira do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, uma decisão política no sentido de destravar as negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio. O pedido foi feito durante um encontro bilateral entre os dois presidentes em São Petersburgo, na Rússia, onde acontece a reunião de cúpula do G8, o grupo das nações mais industrializadas do mundo. O Brasil participa da reunião como um dos países em desenvolvimento convidados. “Depois de nossas últimas conversas, estou convencido de que chegou o momento de tomarmos uma decisão política, qualquer que seja ela”, disse Lula a Bush. “Não podemos deixar nas mãos dos nossos negociadores, que já fizeram um imenso trabalho, mas parece que não têm mais cartas no colete. Agora quem tem de dar as cartas somos nós, os líderes”, afirmou Lula. Ao receber Lula no chalé onde está hospedado no complexo que abriga a reunião de cúpula, Bush disse ter “muito a discutir” com o presidente brasileiro. “Tenho muito interesse em ouvir a opinião dele sobre a OMC. Ele é um dos líderes que veio para discutir a questão do comércio”, disse Bush, que disse estar “comprometido com o sucesso da Rodada Doha”. ‘É a campanha’ O encontro de Lula e Bush começou em tom bem-humorado, com o presidente americano dizendo que o seu colega brasileiro parecia muito bem fisicamente. Ao ouvir o elogio, Lula respondeu: “É por causa das eleições”. Logo após as considerações iniciais de Bush, Lula aproveitou para colocar sua posição sobre o tema que considera sua prioridade durante a reunião em São Petersburgo. Lula vem insistindo desde o ano passado para que os principais líderes mundiais façam um esforço para destravar as negociações na OMC e considera que a cúpula do G8 seria uma grande oportunidade para um gesto político dos líderes nesse sentido. As negociações da Rodada Doha, iniciadas em 2001, buscam a flexibilização do comércio internacional. As negociações, após vários meses de reuniões em nível ministerial, encontram-se em um impasse. O grupo dos países em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, exige que os países desenvolvidos abram seus mercados para produtos agrícolas, reduzindo tarifas de importação e eliminando subsídios aos produtores. Por outro lado, a União Européia e os Estados Unidos exigem que os países em desenvolvimento abram seus mercados a produtos industrializados e no setor de serviços. No domingo, um comunicado dos líderes do G8 (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) propôs um prazo de mais um mês para um acordo nas negociações comerciais. O grupo de países em desenvolvimento convidados para a cúpula (Brasil, México, Índia, China, África do Sul e Congo, representando a União Africana), após uma reunião na tarde de domingo, apresentou um outro documento que observa que “prazos têm sido estabelecidos e reiteradamente desrespeitados” e que “o tempo está acabando” para um acordo. O documento diz ainda que “todas as partes precisam estar dispostas a enxergar além de seus interesses estritos”, e pede que os líderes participantes da cúpula se esforcem por “um nível elevado de ambição” para chegar a um acordo. Biodiesel e H-Bio O presidente Lula aproveitou ainda o encontro com Bush para sugerir uma parceria entre os dois países na área de energia renovável e combustíveis limpos. “O nosso programa do biodiesel já é uma realidade e agora temos outra novidade, que é o H-Bio”, disse ele, citando o novo combustível desenvolvido no Brasil e que mistura óleos vegetais derivados de sementes oleaginosas na fabricação do diesel. O resultado é um combustível de melhor qualidade e que gera menos poluição. Lula entregou então a Bush uma brochura explicativa sobre os novos combustíveis, dizendo que era “quase que um convite para uma grande parceria”. Um pouco sem jeito, Bush posou então para fotos por alguns segundos segurando o caderno, que tem na capa um pedaço da bandeira do Brasil estilizada. | NOTÍCIAS RELACIONADAS Impasse na OMC é político e não econômico, diz Lula16 julho, 2006 | BBC Report Com agenda livre, Lula passeia por São Petersburgo16 julho, 2006 | BBC Report Lula chega a São Petersburgo para reunião do G815 julho, 2006 | BBC Report G8 pode dar impulso para Doha, diz Amorim14 julho, 2006 | BBC Report Mandelson culpa EUA pelo fracasso da reunião da OMC06 julho, 2006 | BBC Report Europa pode propor corte maior de subsídios03 julho, 2006 | BBC Report Encontro da OMC acaba em impasse em Genebra01 de julho, 2006 | Notícias | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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