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Impasse na OMC é político e não econômico, diz Lula | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste domingo que o impasse nas negociações da Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), é um problema político, não mais econômico. Ele acrescentou que, por isso, espera uma decisão política dos líderes mundiais para costurar um possível acordo na organização. “Os dirigentes precisam tomar uma posição, porque como o problema é político, não é mais econômico, é preciso que as pessoas não se preocupem apenas com o público interno de cada país, com os eleitores”, disse Lula. Para o presidente, quem precisa sair ganhando com um eventual acordo “são os países mais pobres, sobretudo os países da África, onde predomina o maior grau de pobreza hoje no mundo”. Lula participa como convidado da cúpula do G8, o grupo das nações mais desenvolvidas do mundo, que termina nesta segunda-feira em São Petersburgo. Novo prazo na OMC Neste domingo, os líderes do G8 (Alemanha, Itália, França, Canadá, Estados Unidos, Grã-Bretanha, Japão e Rússia) emitiram um comunicado propondo um prazo de mais um mês para um entendimento na OMC. Lula se disse otimista, apesar do histórico de vários prazos descumpridos nas negociações nos últimos meses. As negociações para a Rodada de Doha estão emperradas por conta da inflexibilidade dos grupos negociadores. De um lado, o grupo dos países em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, exige que os países desenvolvidos abram seus mercados de produtos agrícolas, reduzindo tarifas de importação e eliminando subsídios aos produtores. Do outro lado, a União Européia e os Estados Unidos exigem que os países em desenvolvimento abram seus mercados de produtos industrializados e setor de serviços. Para Lula, essas concessões precisam ser feitas de maneira proporcional à economia de cada país. “[Alguns] países africanos têm 75% de sua força de trabalho no campo, enquanto na Europa há países que têm 2%. É preciso que haja esse entendimento”, disse o presidente. 'Cartas no colete' Lula afirmou que um acordo de comércio internacional é necessário “se quisermos cumprir as Metas do Milênio determinadas pelos próprios países na ONU, se quisermos acabar com o terrorismo, combater a fome e a miséria no mundo”. “Se não tomarmos uma decisão agora, isso pode atrasar o desenvolvimento dos países africanos em mais 20 ou 30 anos”, afirmou. Questionado se o novo prazo proposto pelo documento divulgado pelos países do G8 é suficiente, o presidente disse que mesmo que o prazo fosse “de mais um dia” já seria algo positivo, por indicar que os líderes “estão querendo chegar num acordo”. “Na hora em que os presidentes e primeiros-ministros disserem que a negociação agora é para valer, seus negociadores colocarão seus números na mesa para um acordo”, declarou Lula, lembrando que “todos os negociadores sempre têm uma carta no colete para ser usada nos momentos decisivos”. O presidente disse que o Brasil apresentará sua “carta no colete” quando for necessário. Segundo ele, o Brasil se dispõe a flexibilizar sua proposta desde que haja flexibilização também na posição dos países desenvolvidos. Tempo curto Na tarde deste domingo, Lula se reuniu com líderes dos demais países em desenvolvimento convidados para a cúpula do G8 – México, Índia, China, África do Sul e República do Congo (representante da União Africana) – para discutir um ponto em comum a ser apresentado na reunião de segunda-feira entre o grupo e os líderes do G8. O comunicado do grupo do Brasil observa que “prazos têm sido estabelecidos e reiteradamente desrespeitados” e que “o tempo está acabando” para um acordo. O documento diz ainda que “todas as partes precisam estar dispostas a enxergar além de seus interesses estritos”, e pede que os líderes participantes da cúpla se esforcem por “um nível elevado de ambição” para chegar a um acordo. “Amanhã vamos confrontar os nossos dois documentos e é possível que saia algo diferente, afinal de contas não representam qualquer um nessa reunião”, disse Lula. “É só ver o que representam os países reunidos nesta reunião coordenada pelo Brasil hoje, o que representa o G20 (grupo de nações em desenvolvimento), que a gente vai perceber que embora não tenhamos a quantidade de dinheiro que gostaríamos de ter, temos a quantidade de gente, que eles sabem que têm importância nas negociações”, afirmou o presidente. |
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