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Atualizado às: 14 de julho, 2006 - 18h17 GMT (15h17 Brasília)
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Encontros do G8 apresentam poucos resultados, diz estudo

Tony Blair, George W. Bush e Chirac
Alguns dos líderes mais poderosos vão estar na Rússia
Se depender da experiência dos anos anteriores, pouco do que se discutirá durante a reunião de cúpula dos países do G8, que começa neste sábado em São Petersburgo, na Rússia, acabará saindo do papel no curto prazo.

De acordo com um levantamento parcial realizado pelo centro de pesquisas G8 Information Centre, ligado à Universidade de Toronto, muitas das propostas discutidas nos encontros acabam não sendo implementadas por falta de condições ou de vontade política dos países do G8.

O levantamento considerou o período de um ano após cada uma das cúpulas realizadas nos últimos dez anos e verificou que o índice de cumprimento das resoluções durante estes períodos variou entre um mínimo de 27% (para as cúpulas de Denver, em 1996, e de Kananaskis, em 2002) e um máximo de 80%, caso excepcional da cúpula de 2000, realizada em Okinawa.

O índice de cumprimento das resoluções do encontro do ano passado, realizado em Glenagles, na Escócia, ficou em 65% - o segundo maior entre os encontros analisados, somente atrás do de Okinawa.

Metodologia

No caso da cúpula do ano passado, a pesquisa considerou resoluções referentes a 21 questões discutidas durante a reunião sediada pela Grã-Bretanha, como combate à pobreza na África, perdão à dívida dos países mais pobres e o combate ao aquecimento global.

Enquanto alguns pontos de consenso obtiveram um avanço significativo – como no caso do perdão à dívida de países africanos ou das ações para o combate às mudanças climáticas, com 100% e 89% de cumprimento, respectivamente -, outros pontos de implementação mais difícil, como ações de combate à Aids e para a erradicação da pólio, por exemplo, tiveram índices de apenas 33% e 11%, respectivamente.

O levantamento adota as notas -1 (nenhuma ação), 0 (ações em andamento) e 1 (cumprimento das resoluções) para cada um dos itens analisados.

A partir daí, é tirado um índice médio que indica a porcentagem de cumprimento ou não cumprimento das resoluções – numa variação de -100% (nenhuma ação para cumprir as resoluções) a 100% (cumprimento total). Um índice de 0% indicaria ações em andamento, mas nenhum cumprimento efetivo das resoluções.

Rússia

Quando consideradas as ações de cada um dos países para cumprir os acordos assinados na cúpula do ano passado, a Rússia, país anfitrião do encontro deste ano, é o país com o pior desempenho.

Segundo o levantamento do G8 Information Centre, a Rússia tem um índice de cumprimento das resoluções do encontro de apenas 14%. Os países com os melhores índices de cumprimento das resoluções são a Grã-Bretanha (95%), a Alemanha (88%) e os Estados Unidos (81%).

A falta de ação da Rússia para o cumprimento dos acordos, aliada a preocupações dos países ocidentais com o compromentimento democrático do país, é apontada por alguns analistas como fator de tensão que tem levado a pedidos não oficiais para que o país seja retirado do grupo.

A Rússia se incorporou ao então G7 em 1998. Os demais países do grupo são Estados Unidos, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão.

"Discurso para o eleitorado"

Em uma entrevista à TV russa nesta quinta-feira, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, disse não considerar como sérios os pedidos para que a Rússia seja excluída do grupo.

Para ele, as afirmações nesse sentido não passam de um “discurso para o eleitorado” interno de cada país.

Lavrov disse esperar também que as resoluções tomadas na cúpula deste ano sejam aprovadas por unanimidade, sem grandes divergências entre os países-membros.

A pauta oficial de discussões neste ano é formada por três temas: segurança energética global, educação para o desenvolvimento mundial e o combate a doenças infecciosas, com destaque para o problema da gripe aviária.

Segundo Lavrov, além dessas questões também devem ser discutidos outros temas que não fazem parte da pauta oficial, como a não-proliferação de armas nucleares (incluindo as questões do Irã e da Coréia do Norte), o combate ao terrorismo internacional, o nacrotráfico e os conflitos regionais, como a escalada recente no Oriente Médio e a situação atual no Iraque.

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