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Atualizado às: 17 de julho, 2006 - 13h09 GMT (10h09 Brasília)
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Blair diz estar menos pessimista em relação a Doha

Presidente francês Jacques Chirac e premiê britânico Tony Blair
Blair mudou de idéia depois de almoço com outros líderes
O premiê britânico, Tony Blair, afirmou nesta segunda-feira em São Petersburgo (Rússia) ter ficado “menos pessimista” sobre um possível acordo de comércio global após ouvir alguns de seus colegas presentes no almoço de encerramento da cúpula anual do G8, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Para ser franco, antes do almoço eu estava pessimista”, disse Blair, acrescentando que seu pessimismo diminuiu após as declarações em favor de um acordo por parte de Lula e de outros líderes presentes, entre eles o presidente americano, George W. Bush, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy.

“Todos eles falaram fortemente sobre a necessidade de um acordo”, disse Blair, acrescentando que isso seria “muito importante para a economia mundial”.

A busca de um acordo político para destravar as negociações da chamada Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio era o principal objetivo do presidente Lula em sua viagem à Rússia, onde participou como um dos líderes de países em desenvolvimento convidados.

No domingo, os líderes do G8 estabeleceram um prazo de um mês para se chegar a um acordo básico que permita concluir, até o final do ano, as negociações iniciadas em 2001.

Considera-se que, se um acordo final não for conseguido até o final do ano, quando vence o mandato do presidente Bush para aprovar o acordo sem a necessidade de discussão ponto por ponto no Congresso, as negociações poderiam ficar definitivamente paralisadas ou demorar anos para ser concluídas.

Segundo Blair, um acordo comercial seria “importante para a Grã-Bretanha, mas ainda mais importante para os países mais pobres” e também para “o sistema multilateral”. “Seria muito melhor termos um único acordo multilateral do que uma série de acordos bilaterais”, disse.

Oriente Médio

Blair disse que a cúpula do G8 acabou de certa forma “encoberta pelos eventos no Oriente Médio” e ressaltou que considera importante a proposta feita durante o encontro para o estabelecimento de uma força de paz das Nações Unidas para monitorar a situação no Líbano.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, também presente na cúpula em São Petersburgo, manifestou apoio à idéia.

Para Blair, o estabelecimento da força de paz poderia tomar tempo e dependeria também de um cessar-fogo prévio, mas seria a única maneira de garantir que os responsáveis pela atual escalada de violência na região não voltem a provocar novas hostilidades.

“A menos que criemos as condições para um cessar-fogo, ele não vai acontecer”, disse. “Se a força de paz não estiver lá, o perigo é que os responsáveis por iniciar esses ataques iniciem outros ataques.”

O premiê britânico disse considerar que a única solução para o problema do conflito entre Israel e os palestinos é a retomada do chamado Mapa da Paz, o plano de paz proposto em 2003 por Estados Unidos, União Européia, Rússia e ONU.

“Essa pode parecer uma possibilidade muito remota hoje (a retomada do diálogo de paz), mas é a única maneira de resolvermos o problema em sua raiz”, disse.

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