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Atualizado às: 04 de julho, 2006 - 11h52 GMT (08h52 Brasília)
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Domínio brasileiro do açúcar crescerá, diz OCDE

Trabalhador de cana-de-açucar
O Brasil já domina 40% do mercado do açucar no mundo
O Brasil dominará cada vez mais o mercado mundial de açúcar nos próximos dez anos. Esta é uma das conclusões do relatório "Perspectivas Agrícolas da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) para o período 2.006-2.015", divulgado nesta terça-feira em Paris.

O Brasil já atende atualmente por 40% das vendas mundiais do produto.

"As exportações brasileiras de açúcar bruto e refinado devem aumentar até 2015, o que irá reforçar ainda mais a posição dominante do país nesse mercado e exercerá certamente um efeito moderador em relação aos preços do açúcar", revela o relatório.

Segundo o documento, a maior demanda por etanol extraído da cana-de-açúcar não deve ter grande impacto na produção e exportação de açúcar do Brasil.

Europa

"O crescimento da demanda de etanol extraído do milho nos Estados Unidos deve frear o aumento das exportações norte-americanas do produto.

No Brasil, no entanto, a forte expansão do setor de etanol não deve impedir o país de ganhar ainda mais terreno nos mercados mundiais de açúcar”, diz o relatório.

A OCDE e a FAO afirmam que os preços de energias como o petróleo devem permanecer elevados durante o período considerado nesse estudo, o que irá favorecer a produção de produtos agrícolas que necessitem de uma menor utilização de energia como também estimular investimentos no setor de biocombustíveis.

A União Européia, após a reforma de seu sistema açucareiro (por determinação da Organização Mundial do Comércio), deverá reduzir sua produção e exportações subsidiadas de açúcar, diz a OCDE.

Segundo o "Perspectivas Agrícolas" até 2015, o bloco europeu perderá seu estatuto de exportador líquido para se tornar cada vez mais importador de açúcar.

Oleaginosos

Mas não é só em relação ao açúcar que o Brasil ganharia mais destaque nos mercados internacionais. Segundo projeções, o Brasil deverá se tornar no médio prazo o maior exportador mundial de produtos que contém óleo - os chamados oleaginosos. A posição até então era ocupada pelos Estados Unidos.

A OCDE e a FAO prevêem que as exportações brasileiras de oleaginosos devem crescer fortemente até 2015. Estados Unidos, Brasil e Argentina, os três maiores exportadores mundiais de oleaginosos, acumulam mais de 80% das vendas durante o período considerado no estudo.

De acordo com o relatório, as exportações argentinas do produto devem crescer 70% até 2.015.

A Argentina permanece o primeiro exportador mundial de óleos vegetais, seguida do Brasil.

Frango

A crescente exportação de carne de frango dos Estados Unidos também deve sofrer uma concorrência maior do Brasil em razão dos baixos custos de produção e dos preços competitivos dos produtos brasileiros nos mercados internacionais, ressalta o documento da OCDE.

Segundo as projeções da organização, a produção agrícola mundial deve registrar um crescimento regular nos próximos dez anos, mas mais lento do que durante a década anterior.

O consumo alimentar por habitante também deve aumentar devido ao aumento da renda e à ampliação das trocas comerciais.

Os países em desenvolvimento estão tendo um peso cada vez maior na expansão dos mercados agrícolas mundiais, aponta o documento.

"Essa tendência deve se acelerar durante o período estudado à medida em que os investimentos em capacidade e infra-estrutura transferem a produção, sobretudo de produtos agrícolas não transformados, dos países ricos para os países em desenvolvimento", diz o relatório.

Variáveis

As perspectivas em relação ao mercados agrícolas internacionais dependem fortemente da situação econômica no Brasil, na China e na Índia, “três gigantes agrícolas mundiais”, segundo o estudo, que ressalta que a China tem uma importância considerável em relação a vários produtos, mas como grande importador e não exportador.

"Se nesses países os mercados e as trocas comerciais tiveram uma evolução diferente das previstas até 2015, as perspectivas do relatório serão afetadas", afirma o texto.

Segundo a OCDE, entre as incertezas que pairam sobre a produção agrícola mundial nos próximos dez anos estão também os preços energéticos, as mudanças climáticas, o fraco crescimento econômico e, claro, o desfecho das negociações comerciais da chamada Rodada Doha, para a liberalização do comércio mundial.

A OCDE e a FAO afirmam que as discussões junto à Organização Mundial do Comércio representam um elemento de incerteza que não pode ser neglicenciado.

E são justamente as negociações agrícolas entre países ricos e em desenvolvimento que vêm impedindo a obtenção de um acordo na OMC e a conclusão da Rodada Doha.

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