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Negociações sobre Doha são suspensas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As negociações da Rodada Doha, que buscavam um novo acordo no comércio internacional, foram suspensas, depois do fracasso da nova bateria de negociações que havia começado no domingo. As reuniões que estavam marcadas para esta segunda-feira foram canceladas, assim como as dos próximos dias 29 e 30. Os países da OMC apenas se encontrarão à tarde para oficializar a decisão. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que estava "decepcionado" e "preocupado" com a decisão. Para ele, foi um "grande recuo". O ministro falará sobre a situação da Rodada Doha às 16h30 em Genebra (11h30 na hora de Brasília). Impasse A suspensão foi decidida porque os países não conseguiram avançar nas suas propostas de redução do protecionismo agrícola. Ontem, ministros do chamado G6 (Brasil, Austrália, Índia, Estados Unidos, União Européia e Japão) consideraram insuficientes novas ofertas para alcançar um acordo comercial. Parte deles responsabilizou os Estados Unidos pelo fracasso, que não colocaram na mesa uma proposta mais ousada de corte dos subsídios aos produtores. A tentativa de desatar o nó da Rodada Doha envolveu até o presidente Luiz Inácio Lula Silva, que na reunião do G8 - os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia -, em São Petersburgo, pediu ao presidente americano, George W. Bush, uma decisão política em favor de um acordo. Divergências entre os negociadores-chave - União Européia, Estados Unidos e países desenvolvidos - têm travado a Rodada Doha, que deveria ter sido concluída no fim de 2004. Observadores acreditam que o novo prazo para concluí-la, até o fim deste ano, também não será cumprido. Tímidez A melhora na oferta feita no domingo pela União Européia não foi capaz de devolver o ânimo aos negociadores. O bloco concordou em elevar para 51,5% o corte médio de suas tarifas de importação de produtos agrícolas. Apesar de ter sido um avanço considerável em relação aos 39% inicialmente propostos pelos europeus, ficou abaixo dos 54% e até 70% pedidos, respectivamente, por países em desenvolvimento e Estados Unidos. Ainda assim, o gesto da União Européia colocou a pressão sobre os Estados Unidos, que apenas concordaram em reduzir de US$ 22,5 bilhões para US$ 19,5 bilhões o volume anual de ajuda aos seus produtores agrícolas. A oferta foi considerada como um passo para o lado na chamada "negociação triangular", em que a União Européia teria de reduzir suas tarifas de importação agrícola, os Estados Unidos, seus subsídios aos produtores rurais, e os países emergentes, suas tarifas de importação de produtos industrializados. Pela proposta dos países emergentes, a redução média das tarifas seria de 50%, equivalente à aplicação de um coeficiente 30 na chamada fórmula suíça, cálculo utilizado pelos negociadores para mensurar os cortes de tarifas de importação. |
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