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Novo fracasso poderia suspender Rodada Doha | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As negociações da Rodada Doha podem ser suspensas se fracassar a nova bateria de negociações que começaram no domingo e terminam nesta segunda-feira. A ameaça paira sobre representantes estrangeiros que se reúnem em Genebra para tentar desatar o nó que há um ano e meio trava a conclusão da Rodada. Ontem, ministros do chamado G6 (Brasil, Austrália, Índia, Estados Unidos, União Européia e Japão) avançaram nas propostas de redução do protecionismo agrícola. Mas as novas ofertas foram consideradas insuficientes para alcançar um acordo comercial. Observadores e diplomatas que acompanham as negociações afirmam que os Estados Unidos ainda precisam colocar na mesa uma proposta mais ousada de corte dos subsídios aos produtores. Suspensão A nova bateria de reuniões, marcada para este fim de semana e o próximo, poderia ser interrompida se as negociações da Rodada Doha permanecerem estagnadas, disseram diplomatas presentes no encontro. A possibilidade, que vem sendo alardeada informalmente nos corredores da Organização Mundial do Comércio (OMC), teria sido levantada pelo próprio diretor-geral da instituição, Pascal Lamy. Mas uma decisão desse calibre teria de ser aprovada pelo Comitê de Negociações Comerciais, uma espécie de assembléia geral que reúne todos os países da OMC. O comitê se reúne na tarde desta segunda-feira em Genebra, depois de uma nova rodada de conversas envolvendo negociadores-chave como Brasil, Estados Unidos, Japão, Índia e União Européia. Avanço A melhora na oferta feita pela União Européia não foi capaz de devolver o ânimo aos negociadores. O bloco concordou em elevar para 51,5% o corte médio de suas tarifas de importação de produtos agrícolas. É um avanço considerável em relação aos 39% inicialmente propostos pelos europeus, mas ainda abaixo dos 54% e até 70% pedidos, respectivamente, por países em desenvolvimento e Estados Unidos. Ainda assim, o gesto da União Européia colocou a pressão sobre os Estados Unidos, que apenas concordaram em reduzir de US$ 22,5 bilhões para US$ 19,5 bilhões o volume anual de ajuda aos seus produtores agrícolas. A oferta foi considerada como um passo para o lado na chamada "negociação triangular" - em que a União Européia teria de reduzir suas tarifas de importação agrícola, os Estados Unidos, seus subsídios aos produtores rurais, e os países emergentes, suas tarifas de importação de produtos industrializados. Pela proposta dos países emergentes, a redução média das tarifas seria de 50%, equivalente à aplicação de um coeficiente 30 na chamada fórmula suíça. Mas este tem sido o ponto menos discutido nas reuniões. Um diplomata brasileiro afirmou que "no passado os países em desenvolvimento fizeram muitas concessões" para seus mercados de produtos industrializados e de serviços. Agora seria a hora da contrapartida por parte dos países ricos. "O triângulo da negociação não é equilátero, é isósceles", comparou. "Tem dois lados maiores, que são os Estados Unidos e a União Européia, e um lado menor, que são os países em desenvolvimento." |
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