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Atualizado às: 24 de julho, 2006 - 17h24 GMT (14h24 Brasília)
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Subsídios travaram Rodada Doha, diz Amorim

Susan Schwab
Representante americana, Susan Schwab, estava sob críticas
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que não é “produtivo” buscar culpados para o fracasso nas negociações da Rodada Doha, suspensas nesta segunda-feira.

Mas ele admitiu que o tema dos subsídios agrícolas – área em que os Estados Unidos se mostravam mais sensíveis – emperrou as reuniões que começaram no domingo e deveriam continuar até o fim de semana.

“Não vou cair na tentação de buscar culpados, mas temos que reconhecer que a área em que estávamos mais atrás eram as ajudas domésticas”, disse Amorim.

Embora indiretamente, a afirmação foi recebida como uma referência aos Estados Unidos, já que, no chamado esquema “triangular” de negociações, caberia ao país oferecer cortar subsídios aos produtores do país.

Os americanos vinham sendo criticados porque se mantinham inflexíveis em relação ao nível de seus subsídios agrícolas.

A delegação americana chegou a propor uma redução de US$ 22,5 bilhões para US$ 19,5 bilhões em seu teto anual de subvenções aos produtores.

Mas a oferta foi considerada “um nada” pelos participantes, como contou um diplomata que acompanhava as reuniões em Genebra.

Vontade política

Amorim disse esperar que ainda exista vontade política de costurar um amplo apoio na OMC.

Na última reunião do G8 – os sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia -, em São Petersburgo, o presidente Lula chegou a pedir ao seu colega americano, George W. Bush, uma decisão política em favor de um acordo.

Amorim disse que, “apesar de os líderes pedirem flexibilidade, isso não se traduziu em números”.

Ele evitou entrar nas razões que explicariam este fato. “A essa altura, não é produtivo”, afirmou.

O ministro afirmou que estava “triste” com o naufrágio das negociações da Rodada Doha.

Com muitos países ou blocos preferindo fechar acordos menores, em âmbito bilateral ou regional, era a própria credibilidade da OMC que estava sendo testada, dizem observadores.

Esse fato foi lembrado pelo diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, na abertura da última reunião da instituição, no começo deste mês.

Nesta segunda-feira, o ministro Celso Amorim disse que não queria “dar a impressão de que tudo está perdido”.

“Não nos desesperaremos, mas há um desapontamento que não pode ser compensado por nenhum acordo bilateral ou regional. Não há substitutos para a OMC ou para o sistema multilateral do comércio.”

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