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Livro de ex-assessor de Clinton tem mensagem dúbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o lançamento das memórias de Bill Clinton, ressurgem os fantasmas de uma era apimentada da política americana. Um desses fantasmas é Dick Morris, o veterano, cínico e fanaticamente pragmático assessor político do casal Clinton, que ao longo das décadas teve uma relação de amor e ódio com o ex-presidente e sua mulher, Hillary, hoje senadora democrata pelo Estado de Nova York. Morris não tem como competir contra o poder de fogo de Clinton, mas ele esta aí nas paradas de sucesso livresco com sua jogada para reescrever a história. O alvo preferencial não é o ex-presidente. Muito mais sintomático é o fato de que o foco seja Hillary, que no final das contas, representa o futuro político da parceria. Título intencional O título Rewriting History ("Reescrevendo a História", em tradução livre) é intencional. É, à primeira vista, um repúdio ao best-seller Living History, que Hillary publicou no ano passado. Em comum com os Clinton, Morris tem sua própria cota de escândalos. Ele foi para a lixeira da história em 1996, quando foi revelado seu apego a prostitutas, e a partir daí os serviços desse Rasputin moderno perderam muito do seu valor para o então primeiro-casal. Morris não caiu totalmente no anonimato, pois é presença constante nos talk-shows de televisão e escreve no New York Post, um dos tablóides do império Murdoch. Se levarmos em conta os anos de acesso de Morris a Hillary Clinton, suas diatribes não podem ser automaticamente descartadas. Hillary para presidente O grosso do livro é devotado à análise esquemática de Morris de uma inevitável presidência de Hillary. Para ele, a senadora deve concorrer em 2008 (em caso de derrota de John Kerry contra o presidente Bush este ano), ou no mais tardar, em 2012. O terceiro cenário é Hillary como candidata a vice já em novembro. No seu futurismo, Morris não vislumbra um repeteco de Bill Clinton com Hillary na condição de efetiva dona da Casa Branca. Ele é infatigável para compará-la a Richard Nixon e não ao marido. Morris profetiza dias sombrios porque, "como Nixon, Hillary esconde – atrás de uma fachada de sinceridade – uma personalidade movida por paranóia, medo e ódio dos inimigos, com uma disposição para acertar as contas e fazer qualquer coisa para prevalecer". 'Oportunismo' Com esse tipo de comentário, é fácil rotular o livro de Morris como mais um produto da indústria de ódio contra o casal Clinton, especialmente neste ano eleitoral e com o ex-presidente tão visível. Mas o oportunismo de Morris sempre falou mais alto do que espírito de vingança ou indignação ética. Após alvejar Hillary furiosamente em grande parte do livro, Morris dá o abraço de urso e virtualmente endossa a candidatura da senadora, na medida em que, obviamente, ela renuncie ao seu passado de pecados e conserte as falhas de personalidade. Lá está Morris com seu apelo: "Nossa paisagem política precisa da perspectiva de Hillary, seu idealismo e disposição para lutar por aqueles que estão por baixo". A tese de Morris é de que com o desgate de Bush, Hillary pode ser a mais forte candidata para ocupar a Casa Branca. Ele reconhece que a senadora polariza, mas argumenta que as tendências demográficas – como o crescimento da minoria latina – tornam Hillary praticamente imbatível em 2008 ou 2012. Dick Morris conhece Hillary desde os tempos em que assessorava o jovem Bill Clinton em campanhas no Arkansas. Os anos de intimidade foram substituídos por desprezo mútuo. Mas agora Dick Morris parece se reposicionar para uma futura campanha presidencial de Hillary. O primeiro lance é reescrever a história com linhas mal traçadas. Rewriting History |
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