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Livro mostra Bush de volta às origens unilateralistas dos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
George W. Bush é visto como um revolucionário, à esquerda e à direita, por ter subvertido pilares da política externa dos EUA como multilateralismo e segurança coletiva. John Lewis Gaddis é um subversivo porque discorda da visão comum. A estratégia de ataque preventivo, unilateralismo e hegemonia não é sem precedentes na história da jovem república. A rigor, Bush está voltando às origens da maneira americana de fazer guerra e diplomacia. Em meio às paixões, caricaturas e rancor partidário, é um alívio pegar o sóbrio livro de Gaddis, professor da Universidade de Yale e decano dos historiadores americanos da Guerra Fria. Por ossos do seu ofício, Gaddis analisa a política externa de Bush no seu contexto histórico. Ele coloca a "revolução" num contexto que remonta a John Quincy Adams, o sexto presidente. ‘Estrategista’ Antes de assumir o poder, Adams (ou John Q., para os íntimos) já era todo-poderoso. Gaddis define John Q. como o mais influente "grande estrategista" americano do século 19 e ressalta que suas realizações como secretário de Estado com folga foram mais importantes do que às de seu mandato único na Casa Branca. Como secretário de Estado de James Monroe, ele articulou a estratégia de ataque preventivo, unilateralismo e hegemonia, que culminou na Doutrina Monroe em 1823, um recado para as potências européias não se meterem no quintal hemisférico dos EUA. A reação de Bush aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 foi similar às respostas americanas a dois outros grandes ataques diretos ao território americano: em 1814, quando os britânicos marcharam sobre Washington e queimaram a Casa Branca e o Congresso, e 1941, com o ataque japonês a Pearl Harbour. Gaddis diz que nos três casos havia a crença que a "segurança deriva do alargamento e não da contração da esfera de responsabilidades". Há, portanto, um certo determinismo histórico que o 11 de setembro tenha dado em Iraque. Pearl Harbour Gaddis argumenta que, com exceção do idealismo de Woodrow Wilson, a visão de John Quincy Adams dominou a política externa americana até Pearl Harbour. O ataque de 1941 mostrou que os EUA estavam novamente vulneráveis a um ataque estrangeiro. E, de novo, a reação natural dos americanos foi expandir suas fronteiras geopolíticas, assegurando sua hegemonia em várias partes do planeta. Mas era uma tarefa descomunal mesmo para o império e desta vez foi preciso conter os instintos unilateralistas e de ataques preventivos. Por necessidade, Franklin Roosevelt e seus sucessores superaram o isolacionismo americano e forjaram um sistema multilateral, combinando o poder dos EUA com instituições internacionais e alianças como a ONU e a Otan. No seu apanhado histórico, Gaddis argumenta que os ataques do 11 de setembro impeliram o país – que estava estrategicamente à deriva desde o final da Guerra Fria – a retomar seus princípios tradicionais. O recatado Gaddis finalmente entra num terreno mais polêmico quando conclui que o sistema multilateral trouxe a vitória para os EUA na Guerra Fria, mas que o 11 de setembro expôs suas deficiências. Nas palavras dele, "é improvável que diplomacia ou dissuasão tivessem impedido os ataques". Surprise, Security and the American Experience |
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