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Atualizado às: 09 de janeiro, 2004 - 05h21 GMT (03h21 Brasília)
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Punição literária

Caio Blinder

Na maratona por visibilidade, os pré-candidatos presidenciais democratas fazem de tudo. Colocam aventais para fritar panquecas em restaurantes ou põem a mão na massa para escrever livros.

Bem, neste último caso, em geral com a ajuda de cozinheiros mais habilitados. Oito dos nove pré-candidatos publicaram suas receitas políticas ou biográficas na ingrata batalha pelos corações e mentes dos eleitores e leitores. É uma punição para ambos.

Na primeira categoria de livros está a esperada discurseira de campanha com tonalidades autobiográficas. Os títulos são pavorosos. Howard Dean comparece com Ganhando de Volta a América. John Kerry não fica atrás com Um Chamado ao Serviço. E Dennis (quem?) Kucinich não decepciona com o igualmente terrível Prece pela América.

E Kucinich considera um mérito que tenha escrito o seu material (a tal da prece) sem a ajuda de ninguém. Entre os candidatos literatos, Wesley Clark também se responsabiliza sozinho pelo padrão de qualidade do produto.

Alguns candidatos têm um foco mais estreito. O solo Clark abusa como pode de suas credenciais militares com a publicação de Vencendo Guerras Modernas, e John Edwards narra em Quatro Julgamentos suas peripécias de advogado, que lhe renderam uma fortuna e ambições politicas. Edwards foi transparente e generoso ao colocar o nome do "colaborador" John Auchard na capa do livro.

 De longe, os americanos preferem livros sobre os presidentes do que os dos candidatos a presidente.

Caio Blinder

Claro que não é novidade a ambição de políticos de se tornarem autores. Na galeria brasileira, destaca-se o imortal José Sarney. Uma marca registrada de John Kennedy foi o seu "Perfis de Coragem". Antes do assassinato, opositores costumavam cobrar menos perfil e mais coragem do ex-presidente.

Há políticos que se tornam autores incansáveis quando se aposentam da vida pública. Jimmy Carter, por exemplo, hoje se aventura até para escrever ficção. E Richard Nixon quis reescrever a história com seus tratados políticos.

A profusão de lançamentos de presidenciáveis nesta temporada eleitoral americana torna este tipo de livro ainda mais duvidoso. Nenhum dos títulos causou sensação na indústria literária e todos os candidatos morrem de inveja de Hillary Clinton, que realmente emplacou um best-seller no ano passado.

A obra esquecível de Dennis Kucinich chegou a alcançar em uma semana de dezembro o número 16 na lista de best-sellers do The New York Times, um acidente provocado pela mobilização de devotados ativistas.

O pessoal da campanha dos candidatos costuma comprar exemplares no atacado. Uma típica punição é premiar os partidários mais leais. Ganhou, precisa ler. Há também uma jogada mais penosa e mais cara. O livro pode ser um presente para os doadores. John Edwards oferece uma cópia autografada para quem contribui com pelo menos 250 dólares para sua campanha.

Resenhas literárias ou vendas de livros não são um bom barômetro do status político-eleitoral dos candidatos. Em todo caso, deixando de lado o acidente de marketing de Dennis "Prece" Kucinich, os líderes de venda nas livrarias são Howard Dean e Wesley Clark, o que de certa maneira reflete a correlação de forças nas pesquisas eleitorais.

Claro que é um sucesso patético em comparação às estrondosas vendas e impacto de livros de autores como Al Franken, Michael Moore ou Bill O'Reilly. De longe, os americanos preferem livros sobre os presidentes do que os dos candidatos a presidente.

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