BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 22 de agosto, 2003 - 17h20 GMT (14h20 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Receitas de livro

Caio Blinder

É cada vez mais difícil vislumbrar uma luz no fim do túnel no Oriente Médio, mas ao menos israelenses e palestinos têm um roteiro de paz.

Michael O'Hanlon e seu colega Mike Mochizuki, do Instituto Brookings, em Washington, consideram crucial traçar um roteiro para outra crise monumental.

É uma crise tão intrincada que eles precisaram de um livro para expor suas receitas de paz para a península coreana, onde o problema imediato é a crise nuclear envolvendo o anacrônico e paranóico regime comunista de Kim Jong-Il.

Na semana que vem, devem se realizar as conversações de Pequim sobre o impasse nuclear envolvendo as duas Coréias, EUA, Japão, China e Rússia.

O aqui e agora já é um sufoco diplomático e a longo prazo é preciso pensar grande porque os norte-coreanos necessitam de uma esperança gigantesca.

Eles estão em um buraco e não sabem como cair fora.

A economia está afundando, assim como a sociedade.

E a advertência de O'Hanlon e Mochizuki é de que não basta que os EUA e países asiáticos apenas negociem questões táticas ou o fim da crise de curto prazo do programa nuclear norte-coreano.

Sem uma solução mais abrangente para a crise sócio-econômica, o regime de Pyongyang simplesmente vai esperar uma outra oportunidade para usar seu perigoso programa de armas para praticar uma política externa baseada em extorsão de recursos de uma comunidade internacional apavorada com a chantagem.

A pedra-de-toque do plano de O'Hanlon e Mochizuki não é o desarmamento nuclear (esta é a premissa), mas um desarmamento convencional, com uma redução drástica de tanques, aviões, helicópteros e artilharia nos dois lados da zona desmilitarizada entre as duas Coréias.

A chave é motivar os norte-coreanos a reduzir seu arsenal militar para que a economia possa iniciar o processo de recuperação.

Neste momento, o regime comunista gasta 25% do PIB com suas Forças Armadas, enquanto milhões de pessoas passam fome.

É de longe o maior gasto percentual no mundo, oito ou nove vezes mais do que gastam os americanos ou os sul-coreanos.

Mas como induzir um regime paranóico e recluso a fazer concessões?

A idéia não é entregar de cara 20 bilhões de dólares em dinheiro vivo, mas proporcionar uma assistência cadenciada na construção de infra-estrutura, programas de saúde e assim por diante.

Deve, é claro, haver reciprocidade e aqui os autores propõem que, em uma fase posterior, os americanos ofereçam um pacto de não-agressão, o que tem sido uma exigência constante dos norte-coreanos.

Bom plano de jogo.

Só falta acertar com os times em campo.

Com George W. Bush nunca é fácil fazer com que ele supere a atitude beligerante, especialmente em se tratando de um país que integra o chamado "eixo do mal".

Mas a mensagem de O'Hanlon e Mochizuki é que este tipo de roteiro é a melhor oferta no mercado diplomático.

Descontando um confronto militar, não será possível mudar o regime norte-coreano sem esta assistência substancial em troca de redução do arsenal militar.

É verdade que, com base neste roteiro de paz, os comunistas norte-coreanos podem até se manter no poder (como é o caso de chineses e vietnamitas), mas eles serão forçados a alterar de forma radical sua economia e eventualmente suavizar os abusos de direitos humanos.

Com gente como Kim Jong-Il, as opções nunca são atraentes.

Trata-se de escolher o menos desagradável.

Crisis on the Korean Peninsula
Michael O’Hanlon e Mike Mochizuki
McGraw-Hill, 172 páginas, US$19.95

NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade