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Atualizado às: 25 de julho, 2003 - 01h23 GMT (23h23 Brasília)
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Impacto da morte de filhos de Saddam sobre resistência é incerto

Corpo identificado como sendo de Uday Hussein
Corpo identificado como sendo de Uday Hussein

Não é todo dia que forças militares americanas matam gente como Uday e Qusay Hussein e mostram imagens dos seus rostos desfigurados para a opinião pública mundial, mas praticamente a cada dia acontecem mortes de soldados americanos no Iraque.

Em Washington, nem mesmo nos momentos mais eufóricos que se seguiram à confirmação, na terça-feira, que os dois filhos de Saddam Hussein tinham morrido em Mosul houve a ilusão de que o sucesso daquela operação militar iria abafar o ataque de guerrilhas contra as forças americanas.

Mas não há dúvida que tornar Uday e Qusay literalmente cartas fora do baralho foi um tônico psicológico para o acuado governo Bush.

De imediato, isso desviou a atenção da controvérsia a respeito de falsas evidências sobre as armas de destruição em massa do Iraque (em particular sobre as alegações de que o Iraque teria tentado comprar urânio da África para produzir bombas atômicas).

Distração mórbida

E a divulgação das fotos ofereceu uma distração mórbida para a opinião pública.

Para muitos analistas, as implicações foram mais profundas e serviram para o governo Bush retomar terreno estratégico.

A morte dos dois filhos de Saddam foi o evento mais dramático no Iraque desde o dia em que a estátua do ex-ditador foi colocada abaixo no centro de Bagdá, há mais de três meses.

Mais do que símbolos, Uday e Qusay eram figuras-chave do aparato de poder de Saddam. Jonathan Alterman, do Centro para Estudos Estratégicos e Internacionais, em Washington, avalia que as mortes foram um “sinal poderoso de que os Estados Unidos realmente controlam o Iraque”.

 É possível um profundo embate entre otimistas e céticos a respeito do impacto provocado pela morte dos filhos de Saddam Hussein. (...) Como os rostos dos dois, análises podem ser perfeitamente desfiguradas.

Caio Blinder

E Anthony Cordesman, do mesmo instituto e na mesma linha otimista, complementa que as mortes foram uma “imenso estímulo moral” para todos os iraquianos que apóiam a criação de uma nova ordem.

Para Cordesman, esse será um grande incentivo para aqueles atrás da recompensa por pistas sobre o paradeiro de Saddam Hussein.

“Efeito dominó”

Larry Korb, ex-subsecretário de Defesa, acredita até que o exemplo do informante em Mosul, ao revelar o esconderijo dos dois irmãos, irá criar um “efeito dominó de pistas” sobre os remanescentes do antigo regime à solta e, quem sabe, a respeito das elusivas armas de destruição em massa.

Cordesman acredita que o ocorrido deve começar a desmantelar qualquer tipo de liderança coerente na insurgência antiamericana ou mesmo de disposição para manter o seu ritmo.

No entanto, há avaliações bem mais céticas, como a de Kenneth Katzman, do serviço de pesquisa da Biblioteca do Congresso.

Para ele, “os líderes guerrilheiros estão lutando por seus próprios interesses e não para restaurar Saddam Hussein. Estão lutando pelo fim da ocupação americana e restauração de um regime nacionalista. Na verdade, podem até ficarem mais motivados se a dinastia Hussein estiver fora do quadro”.

E Ivo Daalder, do instituto Brookings, afirma que as duas mortes não representarão o fim da controvérsia sobre os dados de inteligência sobre o Iraque e também não fazem muito diferença no tocante às críticas sobre a falta de planejamento no pós-guerra.

Como se vê, é possível um profundo embate entre otimistas e céticos a respeito do impacto provocado pela morte dos filhos de Saddam Hussein.

Como os rostos dos dois, análises podem ser perfeitamente desfiguradas.

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