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Atualizado às: 04 de agosto, 2003 - 19h23 GMT (16h23 Brasília)
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Caio Blinder: A bomba previsível de Colin Powell

Colin Powell
Powell teria indicado que deixará cargo mesmo com reeleição de Bush

Agosto chegou e o verão avança no hemisfério norte. Uma tortura. O presidente George W. Bush, de férias no rancho do Texas, lamenta a má sorte de repórteres de plantão que vão sofrer sob o calor sufocante.

Outro sufoco: o noticiário esfria. E então o Washington Post traz uma bomba na primeira página da edição de segunda-feira: o secretário de Estado Colin Powell "sinalizou" para a Casa Branca que ele e seu lugar-tenente Richard Armitage não ficarão nos seus cargos mesmo que o presidente Bush seja reeleito para um segundo mandato em novembro de 2004.

A notícia sobre Powell divide o noticiário com o fiasco de Gigli, o filme com Ben Affleck e Jennifer Lopez, outro tema que aflige a segurança nacional.

O desastre de Gigli era esperado. E a bomba de Powell? O Washington Post esconde o fato de que, desde a posse de Bush, em janeiro de 2001, era antecipado que o secretário de Estado ficaria no cargo apenas um mandato.

Fofoca?

Com tudo descontado, verão ou não, noticiário sobre Colin Powell é quente. O Departamento de Estado e a Casa Branca reagiram prontamente para qualificar as revelações do Washington Post como "fofoca" e "rumores".

A máquina de especulações nos talk-shows de rádio e televisão foi acionada a todo vapor. Afinal, quem está "fritando" o secretário de Estado antes do tempo?

Colin Powell se destacou desde o começo do governo Bush como um foco de resistência aos pendores mais unilateralistas do governo Bush e se converteu em um importante canal de acesso junto a aliados dos Estados Unidos preocupados com os rompantes mais agressivos da Casa Branca.

Conforme o Washington Post, Powell indicou que vai partir em janeiro de 2005 por razões familiares (promesssa à mulher) e não desalento com os companheiros de governo.

A mulher Alma já teve um papel-chave para que o marido abandonasse os planos de concorrer à Presidência no ano 2000.

O fato político é que Powell, que esteve na linha de frente nas Nações Unidas para justificar a guerra contra Saddam Hussein, está embaraçado pelo fracasso até agora para se encontrar evidências de armas de destruição em massa iraquianas.

Segundo fato político: como lembrou o Post, está sendo montado o cenário para uma profunda reformulação da equipe de segurança nacional da administração Bush, que permaneceu intocável durante um período de turbulências que incluiu os ataques terroristas de 11 de setembro, duas guerras (Afeganistão e Iraque) e numerosas crises.

Substituto

As especulações sobre a sucessão de Powell claro que são prematuras, mas são irresistíveis. Na dianteira, está a assessora de Segurança Nacional, Condoleeza Rice. Seria a escolha mais previsível, mais burocrática, mais segura.

Ela é muito próxima do presidente e se ajusta aos ventos políticos. Já o nome de Paul Wolfowitz, subsecretário de Defesa, traria turbulência. Wolfowitz é guru dos neoconservadores e um superfalcão que não ajusta o plano de vôo. Ele foi o arquiteto intelectual da invasão do Iraque.

Como disse Zbigniew Brzezinski, que foi assessor de Segurança Nacional do governo democrata de Jimmy Carter, uma eventual indicação de Wolfowitz provaria que Bush está à vontade para realinhar sua política externa completamente de acordo com a visão linha-dura exemplificada pelo secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e pelo vice-presidente, Dick Cheney – este já confirmou que mantém o emprego se Bush mantiver o dele.

No calor do verão, uma digressão deve ser feita: a esta altura da temporada política, qual seria o impacto da ausência do enfraquecido, quase impotente, secretário de Estado em um segundo governo Bush?

Talvez uma revelação menos morna do Washington Post teria sido a antecipação da partida do disciplinado soldado Colin Powell.

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