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Atualizado às: 04 de agosto, 2003 - 16h14 GMT (13h14 Brasília)
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Análise: Indicação da 'saída' de Powell gera debate sobre sucessão

Colin Powell e George Bush
Powell é visto como um moderado no governo Bush

O secretário de Estado americano, Colin Powell, decidiu deixar o cargo mesmo se o presidente George W. Bush ganhar as eleições no próximo ano, segundo o jornal Washington Post.

Powell deixaria o cargo no dia 21 de janeiro de 2005, dia seguinte à posse do presidente, segundo o relato.

O subsecretário de Estado, Richard Armitage, também teria indicado que sairia no mesmo dia, de acordo com a reportagem.

Abriu-se, então, em Washington um debate sobre quem pode suceder Powell e, mais do que isso, uma discussão sobre a possível direção da política externa dos Estados Unidos em um segundo mandato de Bush.

Razões

Colin Powell, um militar decidido quando era chefe do Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, tem sido um político relutante.

O Washington Post diz que a principal razão para a sua decisão não é qualquer consternação em relação à política externa de Bush, mas um compromisso assumido com sua mulher, Alma, de que ocuparia o cargo por apenas um mandato.

Foi a mulher também que tirou de sua cabeça qualquer idéia que tivesse em relação à sucessão presidencial de 2000.

Preocupada com os riscos pessoais para seu marido, ela é citada pelo repórter Bob Woodward como tendo dito: "Se você se candidatar, eu vou embora." Parece que sua influência ainda é decisiva.

Visões

Philip Reeker, porta-voz do Departamento de Estado, diz que não existe fundamento nessas notícias.

Obervadores dizem que, se Colin Powell for embora efetivamente, poderia fazer a política americana levar menos em conta a visão de outros.

Foi Colin Powell quem, no ano passado, convenceu Bush a ir ao Conselho de Segurança da ONU para tentar apoio para uma ação contra o Iraque.

"Obviamente Colin Powell e Richard Armitage representam os únicos com tendências seriamente multilateralistas no governo, dentro do conceito entendido pelos europeus. Eles prestam mais atenção à visão européia do que outros", diz John Chipman, diretor do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, sigla em inglês).

Especulações

Dois nomes já estão sendo discutidos para sua sucessão.

A favorita deve ser Condoleeza Rice, assessora de Segurança Nacional de Bush. O outro é Paul Wolfowitz, subsecretário de Defesa dos EUA. Não há dúvidas de que, à medida que continuar o debate, mais nomes surgirão.

Rice recentemente recebeu responsabilidades especiais no Oriente Médio, o que pode ser visto como a oferta de uma oportunidade para que ela ganhe experiência na área, algo que ela não tem em Washington.

Sua imagem foi afetada recentemente pela confusão em torno das acusações de que o Iraque tinha buscado urânio no Níger, mas ela certamente tem a confiança do presidente.

Na verdade, ela tinha essa confiança muito antes de ele se tornar presidente e não seria uma grande surpresa se Bush chegasse à conclusão de que a quer como secretária de Estado. Igualmente, ele pode querer mantê-la a seu lado na Casa Branca.

'Ideólogo'

Paul Wolfowitz é amplamente percebido como o arquiteto intelectual da invasão do Iraque. Ele pressionou por ação imediatamente após os ataques de 11 de setembro de 2001, e a suspeita entre alguns é que ele pressionaria por políticas semelhantes quando confrontado com outros problemas como a Coréia do Norte e o Irã.

Chipman diz, porém, que Wolfowitz é "um ideólogo, mas também uma pessoa de idéias, que adora um debate. Ele não é uma pessoa de dogmas. Ele trabalhou no Departamento de Estado e é mais sensível a preocupações internacionais do que pensam. Ele é um internacionalista, se não um multilateralista".

O Washington Post especula que Wolfowitz poderia assumir o cargo de assessor de Segurança Nacional no lugar de Rice, pois ele é considerado "mais um pensador estratégico do que um administrador".

Críticos de esquerda da administração Bush não estão convencidos da moderação de Colin Powell e nem dos efeitos que sua saída poderia ter.

"Não vejo como Powell restringiu qualquer coisa e, se ele tentou, ele falhou. Ele só se voltou para a ONU porque os Estados Unidos e a Grã-Bretanha queriam validar a decisão de invadir, que já tinha sido tomada", disse a parlamentar trabalhista britânica Glenda Jackson, que pediu a saída do primeiro-ministro Tony Blair.

"Não posso ver que sua saída vá fazer muita diferença. Pode ser que o governo tenha aprendido com seu erro e colocaria no lugar um ideólogo mais abertamente comprometido."

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