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Caio Blinder: Bush e os democratas
Em meio ao fogo cruzado de críticas sobre os discutíveis dados de inteligência que levaram os Estados Unidos à guerra no Iraque e de dúvidas sobre a pacificação do país no pós-guerra, o comandante George W. Bush resiste com mais vigor do que o seu lugar-tenente Tony Blair. Uma pesquisa do jornal Wall Street Journal e da rede de televisão NBC mostra que Bush mantém um sólido (e surpreendente) apoio da opinião pública americana na crise do Iraque. Ao menos, os americanos estão dispostos a tolerar uma longa ocupação do país. Na outra frente de batalha, a economia, há um crescente otimismo. Clinton É verdade que a popularidade do republicano Bush caiu nas últimas semanas de 62% para 56%. Mas tudo é relativo. São números melhores do que os do ex-presidente democrata Bill Clinton em momento similar da sua campanha de reeleição. E aqui é o momento ideal para trazer o hábil político Bill Clinton para a conversa. Na semana passada, ele fez advertências veladas a seus afoitos companheiros de partido, em especial aos pré-candidatos às eleições presidencias do ano que vem, que aproveitaram os flancos abertos no Iraque e na economia para irem à carga contra o presidente Bush - com uma agressividade que não se via desde a controvertida eleição do atual presidente, no ano 2000. No tocante à polêmica a respeito dos dados de inteligência sobre o Iraque, que indicaram que o país teria tentado comprar urânio da África, Clinton afirmou que "qualquer um comete erros na presidência". Clinton também disse que no "dia em que eu deixei a Casa Branca, era incontestável que o Iraque tinha estoques não contabilizados de armas químicas e biológicas". Tradução para a massa de pré-candidatos presidenciais americanos: vamos tocar a bola para a frente, é causa perdida combater Bush por sua condução da crise do Iraque. Politicagem A pesquisa Wall Street Journal/ NBC revela que, por uma margem de 56% a 30%, os americanos acreditam que os democratas estão fazendo politicagem na crise do Iraque em vez de oferecer críticas legítimas. As críticas de Clinton são veladas, mas um grupo moderado, que impulsionou a candidatura do ex-presidente em 1991, tem menos pruridos. Na sua convenção realizada esta semana em Filadélfia, o Conselho de Liderança Democrata (CLD) advertiu que uma guinada do partido para a esquerda será uma catástrofe eleitoral. Al From, o fundador do CLD, foi veemente. Ele disse que "nós não podemos permitir que o nosso partido seja seqüestrado por aqueles que, cegos por seu ódio por George Bush, são incapazes de ver o caminho da vitória". Howard Dean Nada preocupa mais os moderados do Partido Democrata do que a ascensão do ex-governador de Vermont Howard Dean, que está cativando os eleitores mais liberais nesta fase ainda inicial da maratona eleitoral. O temor é que Dean seja a versão 2004 de George McGovern ou Walter Mondale, que eram adorados pelos liberais e perderam em 49 dos 50 estados quando concorreram. Como Bill Clinton, os democratas moderados acreditam que "este caminho para a vitória" passe pela escolha de um candidato que seduza o eleitorado flutuante e tenha sólidas credenciais em questões de segurança nacional. A pesquisa Wall Street Journal/NBC mostra que nenhum dos atuais candidatos democratas é páreo para Bush. O presidente bateria Howard Dean, John Kerry ou Joe Lieberman por uma margem de 15 pontos ou mais. Claro que, até a eleição de novembro de 2004, muita coisa pode mudar no Iraque e na economia, para pior ou para melhor. |
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