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Caio Blinder: Pressões Gentis
Após o encontro que tiveram nesta terça-feira na Casa Branca, George W. Bush e Ariel Sharon lembraram aos jornalistas que esta foi a oitava visita do primeiro-ministro israelense à mansão presidencial desde que Bush tomou posse, em janeiro de 2001. Sharon é visitante freqüente e aliado preferencial do presidente americano, mas Bush agora parece enamorado de Mahmoud Abbas, o primeiro-ministro palestino, que na sexta-feira passada apareceu pela primeira vez em sua casa. É difícil ser um ótimo anfitrião tanto de Sharon como de Abbas quando um dos trabalhos essenciais do inquilino da Casa Branca é apartar a briga entre eles. Bush plantou Abbas no atoleiro do Oriente Médio e espera que o frágil primeiro-ministro floresça. Mas, ali no jardim da casa do anfitrião, Sharon não quis saber. Ele reafirmou que segue adiante com a obra de construção de um muro de segurança que invade a Cisjordânia. Fronteiras Isto após Abbas ter advertido Bush e, ao que tudo indica, o persuadido parcialmente de que a obra é contraproducente e tem o objetivo de delinear e comprimir as fronteiras de um futuro Estado palestino. Sharon rebateu que a barreira - uma mistura de muro de concreto e cerca eletrônica - é vital para impedir que terroristas suicidas lancem ataques e que não tem desígnios geopolíticos. O que fez George W. Bush diante de mais esta desavença? Ele reafirmou o compromisso americano com a segurança de Israel e exerceu pressões gentis sobre Sharon. O presidente americano advertiu que o primeiro-ministro israelense deve considerar cuidadosamente o impacto de suas ações no processo de paz do Oriente Médio e preferiu se evadir do tema espinhoso dizendo que a longo prazo a questão do muro de segurança será irrelevante. Como qualquer dirigente israelense, Sharon sempre mede até onde pode confrontar o aliado e patrono americano. Ele pode contar com as boas graças de Bush quando fala da luta comum dos dois governos contra o terrorismo, mas hoje a Casa Branca tem compromissos mais complicados no Oriente Médio e um deles é a criação de um Estado palestino, antecedido de melhores condições de vida para os palestinos. Evolução Sharon evoluiu, mas o alcance do seu avanço ainda é muito pequeno para satisfazer mesmo palestinos moderados como Mahmoud Abbas ou até George W. Bush. O premiê israelense aceita, por ora, a fase dois do roteiro de paz, ou seja, fronteiras provisórias para um minúsculo Estado palestino que represente o fim da violência. Não quer chegar à fase três, que é o estabelecimento de um Estado definitivo e viável. Há um consenso entre o inquilino da Casa Branca e os visitantes Abbas e Sharon de que, com o terror em ação, não se chega a nenhuma fase do roteiro de paz. Israel, obviamente, quer investidas imediatas e implacáveis de Abbas contra os grupos militantes. Sharon acredita que o cessar-fogo em vigor serve basicamente para grupos como o Hamas se reagruparem. Nesta questão, Bush finalmente admitiu ser impraticável instruir Abbas a ir com força total no encalço dos grupos considerados terroristas por Washington. Como? Não custa lembrar que ele é um primeiro-ministro sem um Estado e que carece de um controle efetivo sobre as forças de segurança palestinas. O ônus é sobre Sharon para ir além de concessões minimalistas (como libertar algumas centenas de prisioneiros, remover alguns postos de controle ou desmantelar um punhado de assentamentos que, para começo de conversa, não deveriam existir). Além de concessões mais ousadas, Sharon deveria deixar de construir obstáculos como o muro de segurança. Bush parece ter a visão estratégica do que está em jogo. A questão é o que fará além de pressões gentis sobre Sharon. |
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