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Atualizado às: 08 de agosto, 2003 - 20h39 GMT (17h39 Brasília)
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Raízes do terror

Caio Blinder

Quais são as raízes do extremismo islâmico no Oriente Médio? A resposta pode ter um vasto plano de vôo e ser focalizada num choque de civilizações. A resposta talvez não tenha séculos. É mais recente e centrada em monstros parcialmente gerados pela CIA, como Osama Bin Laden, durante a ocupação soviética do Afeganistão nos anos 80.

Estes marcos são discutíveis e Stephen Kinzer enriquece a discussão ao localizar as raízes do terror no Oriente Médio em um golpe tramado pela CIA há 50 anos (19 de agosto de 1953), que levou à derrubada do governo nacionalista do Irã.

De certa forma é um prazer ter este veterano jornalista do New York Times escrevendo sobre os golpes da CIA. Nos anos 80, ele publicou seu livro sobre o golpe na Guatemala na década de 50, outra tramóia clássica da CIA e interesses econômicos americanos, seja banana, seja petróleo.

Mas o Irã foi a obra-prima. Na verdade foi a primeira vez em que a CIA, com a assessoria do serviço secreto britânico, efetivamente derrubou um governo estrangeiro.

Foi o primeiro engajamento profundo dos EUA no Oriente Médio e também a primeira vez em que os americanos cerraram fileiras com a Grã-Bretanha - que na época ainda era o grande poder colonial - para conter a onda nacionalista.

A trama era digna de um romance de John Le Carré ou Graham Greene. Os participantes eram o resoluto Kermit Roosevelt, o chefe da estação da CIA em Teerã, tenista e neto do ex-presidente Teddy Rooosevelt, e o indeciso xá Reza Pahlevi.

Outro comparsa era o general Norman Schwarzkopf, encarregado dos subornos e pai do comandante das forças americanas na primeira guerra do Golfo Pérsico.

O alvo do golpe também era de romance de espionagem: Mohammad Mussadeq, o intelectual nacionalista que assumira o cargo de primeiro-ministro nos braços de um povo indignado com o controle britânico das imensas reservas de petróleo do país.

Eleito democraticamente, Mussadeq nacionalizou a Anglo-Iranian Oil Company, para a indignação de Winston Churchill, que voltara ao poder em Londres.

Churchill não conseguiu arrastar o presidente americano Harry Truman para uma intervenção conjunta no Irã, mas não teve dificuldades com o seu sucessor na Casa Branca, o general Dwight Einsenhower. O mundo mudou um pouco 50 anos depois.

Agora são os americanos que arrastam os britânicos para incursões no golfo Pérsico. O plano para derrubar Mussadeq, a Operação Ajax, foi arquitetado antes da posse de Einsenhower mas colocado em marcha naquele agosto de 1953.

Mussadeq foi detido e passou o resto da sua vida (morreu em 1967), no cárcere ou em prisão domiciliar. O xá, que havia fugido para Roma, teve um retorno triunfal. Restaurado no poder, ele modernizou o país, foi um fiel aliado americano na Guerra Fria e implantou um regime de repressão brutal. O golpe de 1953 plantou as sementes para a revolução xiita de 1979 e a ascensão do fundamentalismo islâmico.

Kinzer escreve que não é fora de propósito traçar uma linha entre a Operação Ajax e os atentados de 11 de setembro. Talvez seja uma explicação simplista, pois há uma grande distância entre o xiita aiatolá Khomeini e o fanático sunita Osama Bin Laden, mas não há dúvida que os americanos seguem pagando um preço caro pelo golpe de 1953.

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