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Atualizado às: 14 de novembro, 2003 - 11h57 GMT (09h57 Brasília)
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Sempre vivo

Caio Blinder

Por trás destas novas biografias de Franklin Roosevelt existem histórias de fascínio mórbido.

Roy Jenkins, o aclamado político britânico e biógrafo dos primeiros-ministros Gladstone e Churchill, morreu de ataque cardíaco antes de completar sua concisa obra sobre o gigante americano do século 20.

O manuscrito ficou em mãos confiáveis. O livro foi editado pelo lendário historiador Arthur Schlesinger Jr. e o capítulo final concluído por Richard Neustadt, professor de Harvard e o papa dos historiadores presidenciais. Mais morbidez: Neustadt morreu no começo de novembro.

Já o segundo manuscrito sobreviveu meio século anos ao seu autor. Como Jenkins, Robert Jackson morreu de ataque cardiáco (em 1954). O manuscrito inacabado passou para o filho dele, que o guardou em um armário. Em 1999, quando o filho de Jackson morreu, a família descobriu o rascunho e recrutou o especialista John Barrett para publicá-lo.

Sem servilismo

Mas vamos agora nos concentrar no objeto dos livros. Jackson deu o título de “Aquele Homem” à biografia, alusão ao desprezo da aristocracia americana a um político considerado traidor de sua classe com as reformas sociais e econômicas que empreendeu nos anos 30 (o New Deal).

Confidente de Roosevelt, Jackson foi ministro da Justiça, juiz do Supremo Tribunal e o promotor americano no julgamento dos líderes nazistas em Nurembergue.

Ao longo da biografia, ele é leal ao ex-presidente, mas o trata de forma cândida, sem servilismo. Jackson sabe do que está falando. O historiador Willliam Leuchtenberg o definiu como a mais importante figura pública americana do século 20 que as pessoas não conhecem.

Quase 60 após a sua morte, os balanços sobre a vida de Roosevelt são mais equilibrados, num tom prenunciado por Jackson no manuscrito de 1954.

O gigante da piteira tirou o país da Depressão e o conduziu na guerra contra o genuíno Eixo do Mal. Ele era audaz e visionário, mas também tendia a julgamentos apressados e decisões levianas.

No seu trabalho, Roy Jenkins segue esta linha. Resssalta que Roosevelt “era um herói que tinha características não heróicas” e que implantou mudanças históricas mais por improviso do que através de um plano metódico.

Liberdades civis

Tanto Jackson como Jenkins batem em uma tecla de importância contemporânea. Na condição de presidente em tempos de guerra, Roosevelt cerceou as liberdades civis em nome da segurança nacional.

Em uma expressão precisa, Jackson lamenta o “compromisso limitado” do ex-presidente com as liberdades civis, em especial no triste episódio do confinamento de 120 mil nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial (90% deles tinham a cidadania).

Como juiz do Supremo, Jackson expressou dissidência na decisão que ratificou o confinamento dos nipo-americanos em 1944.

Na ocasião, ele escreveu que tribunais ou presidentes “não deveriam distorcer a Constituição para aprovar tudo o que os militares consideram necessário”.

Sempre é dificil conseguir o equilíbrio entre liberdade e segurança. O fracasso parece ser o destino de presidentes, maiores ou menores.

THAT MAN
Robert H. Jackson
Oxford University Press, 290 páginas, US$ 33

FRANKLIN DELANO ROOSEVELT
Roy Jenkins
Times Books, 186 páginas, US$ 20

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