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Atualizado às: 25 de julho, 2003 - 18h19 GMT (15h19 Brasília)
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Esparta e Atenas

Caio Blinder

Há cinco anos, os editores da revista Rolling Stone recrutaram o repórter David Lipsky para escrever um artigo sobre a lendária academia militar de West Point.

Choque de culturas. A Rolling Stone foi, tempos atrás, a vanguarda da contracultura e West Point é um símbolo do establishment, "absolutamente americana", como a definiu o ex-presidente Theodore Roosevelt.

Acostumado a cobrir rebelião estudantil, Lipsky não se entusiasmou com a tarefa.

Afinal, como lembrou o cientista político Samuel Huntington no seu clássico estudo O Soldado e o Estado, a função de academias como West Point é preparar oficiais militares para “administrar a violência”.

Missão

A missão jornalística de Lipsky cresceu e se transformou em um livro, desprovido de contestação e de sarcasmo.

E o leitor, provido de antiamericanismo e de antimilitarismo, deve acompanhar o engajamento de Lipsky com olhos críticos, mas fazendo um esforço para se despojar dos preconceitos.

O autor se mudou para uma cidade perto de West Point (que fica no Estado de Nova York) e passou quatro anos acompanhando os ritmos e rituais da academia.

O resultado é uma rica coleção de retratos de jovens homens e mulheres, sob a intensa pressão adulta de uma instituição de 201 anos, também pressionada para se adaptar à sociedade em torno dela.

Estes retratos de cadetes (e também de instrutores) servem para ilustrar um quadro mais amplo.

Valores

Lipsky escreve no primeiro capítulo que a missão essencial de West Point é “pegar civis e produzir oficiais”.

Mas existe uma competição entre dois sistemas de valores: lá dentro é a ênfase na disciplina, hierarquia, dever, auto-sacrifício e a violência controlada.

Mas as prioridades da sociedade são liberdade, auto-expressão e o prazer.

West Point aceitou negros cem anos atrás (e por décadas persistiram discriminação e crueldade).

Mulheres foram admitidas em 1976 (persistem relatos de assaltos sexuais).

'Bunker'?

Lipsky escreve que a academia não é um bunker inexpugnável e não resiste ao assédio de questões como “sexo, identidade, globalismo, multiculturalismo, pluralismo e o bem-estar”.

Cadetes que estão sendo treinados para comandar e “administrar a violência” hoje têm cursos sobre redução de estresse e nutrição.

A busca do bem-estar não significa que a tradição de um rigor físico esteja sendo abandonada.

Em West Point convivem Esparta e Atenas. Um dos perfis mais fascinantes é o de George Rash.

Tudo indica que este tocador de tuba vai fracassar e ser expulso da academia por inaptidão física.

Pressão

Rash está sob constante pressão dos instrutores, além de ser desprezado pelos demais cadetes.

Meio marginalizado, ele sobrevive e absorve o “ethos” de West Point.

Termina os quatro anos de curso em penúltimo lugar, mas é um oficial do Exército americano.

Lipsky termina por admirar a instituição, mas este sentimento não deve ser confundido com uma patriotada barata.

Dilemas

Sua missão essencial é mostrar os dilemas e conflitos em West Point. Os tempos mudaram.

Quando Lipsky chegou à academia, havia frustração entre os cadetes com a falta de um propósito definido no mundo pós-Guerra Fria.

Com os atentados de 11 de setembro de 2001 e as guerras no Afeganistão e Iraque, algumas questões encontraram respostas.

Hoje, um número recorde de graduados em West Point escolhe a infantaria como carreira.

ABSOLUTELY AMERICAN

David Lipsky

Houghton Mifflin, 317 paginas, US $25.

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