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Mulher Traiçoeira
Ann Coulter sabe se produzir. Ela é uma mistura explosiva de sex appeal e estridência ideológica. Ela avança pela extrema direita, atacando com fúria tudo o que odeia. A lista é infindável: liberais, republicanos moderados, franceses, o lobby politicamente correto, os autocentrados nova-iorquinos, os bárbaros inimigos do império americano e os clintonistas. Ah! o casal Clinton. Ann Coulter deve muito a Bill e Hillary. Ela começou a acumular minutos de fama naqueles tumultuados e frívolos anos 90 quando o destino da civilização ocidental parecia estar nas mãos e outras partes do corpo de Monica Lewinsky. Ann Coulter não era a única, mas se destacava no gênero de loiras esguias que combatiam com vigor pela causa conservadora na guerra dos decibéis travada nos talk shows. A mulher das pernas longas e pavio curto. Ann Coulter merece um lugar de honra, ao lado de sua antítese, o balofo Michael Moore, na galeria dos polemistas narcisistas que fazem provocações inescrupulosas. Há profundas divergências estéticas entre os dois, mas similaridades no ódio histérico dos oponentes políticos e na falta de sutileza. Ela segue na plenitude de sua forma, em todos os sentidos da expressão. Uma mostra está no seu novo livro, que rapidamente saltou para a lista dos best-sellers, embora não seja páreo nas vendas para a conversa fiada de Hillary Clinton (Living History). Ann Coulter é realmente uma mulher sem vergonha na cara. Por exemplo, ela escreve o seguinte: Seja defendendo a União Soviética, seja balindo por Saddam Hussein, os liberais estão sempre contra os EUA. Ou eles são traidores ou são idiotas. E na questão da preservação dos EUA, a diferença é irrelevante. A fuzilaria da pistoleira não surpreende. A carga de insultos faz parte do seu modus operandi. Após 11 de setembro, ela foi demitida da revista National Review (da direita bem comportada) quando fez um apelo pela invasão dos países islâmicos e a conversão forçada dos seus cidadãos ao cristianismo. Esta cruzada insana não impediu um desvio liberal. Tempos atrás, Ann Coulter admitiu ter namorado um muçulmano. Para Ann Coulter, dissidência é traição à pátria e no novo livro ela aproveita para reabilitar o senador Joe McCarthy, que há 50 anos foi o paladino de uma demagógica campanha contra aquilo que ele e outros políticos oportunistas consideravam ameaça comunista ou subversão. Historiadores sérios (e muitos deles liberais) já apresentaram evidências que, de fato, algumas vítimas de McCarthy prestavam serviço aos soviéticos. Mas isto não consola Ann Coulter. Ela lamenta que um homem corajoso como McCarthy tenha sido alvo de tanta difamação, sem mencionar que ele foi colocado a escanteio pelo próprio governo Einsenhower por seus delírios conspiratórios. Um teco de justiça seja feita a Ann Coulter com sua acusação de que os liberais são ingênuos quando abraçam algumas causas terceiro-mundistas e atribuem tudo de errado ao maligno imperialismo americano. Mas não dá para conceder muito mais do que isto à pistoleira. Assim como Michael Moore, ela é repetitiva, genérica e detesta nuances. Esta aí para insultar e, às vezes, entreter. TREASON Ann Coulter Crown Forum, 355 páginas, US$ 26.95 |
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