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Político Classe A
Um dos clichês mais cansativos da temporada é que o governador-eleito da Califórnia Arnold Schwarzenegger está repetindo a trajetória de Ronald Reagan. Engano. Mesmo como ator de filmes B, Reagan atuava melhor do que Schwarzenegger, e na política – à parte juízos de valor ideológico – é inegável que ele foi classe A. Reagan não caiu de pára-quedas na política quando disputou o governo da Califórnia em 1966. Ele já estava envolvido na política por décadas – antes como um ativista sindical do Partido Democrata em Hollywood e em seguida como porta-voz corporativo da General Electric. Quando Reagan se bandeou para os republicanos, ele já era um consumado orador, de claras posições conservadoras. Havia muito empenho da parte dele para mostrar versatilidade na transição de ator relativamente conhecido a político competente. A transição foi facilitada porque Reagan nunca foi uma celebridade ao estilo Schwarzenegger. Leitura obrigatória Para quem quiser ir a fundo na fase estadual da longa vida política do ex-presidente Reagan, o novo livro de Lou Cannon é leitura obrigatória. Cannon é um dos mais conhecidos biógrafos de Reagan. Nos quatro livros anteriores, ele tratou o ex-presidente com condescendência. Desta vez há revisionismo e um tratamento mais fulgurante. Cannon se refere “ao brilhantismo de Reagan como político” e ressalta que ele mostrou “ser possível ter êxito como governador de um grande Estado sem abandonar as convicções conservadoras”. Não vem ao caso aqui tratar do desempenho do governador Ronald Reagan (1966-1974). O fundamental é mostrar como Cannon desfaz mal-entendidos que continuaram durante a presidência. Cannon diz que Reagan era resoluto, e nunca foi um marionete nas mãos dos seus assessores. Também era mais do que uma fachada simpática e sem espessura. Cannon escreve que o então governador sempre teve interesse em idéias e política e não apenas em táticas políticas ou eleitorais. “Mesmo quando era um governador noviço, ele provou que tinha talento para negociar com o Legislativo”, observa o biógrafo. Carisma Obviamente Reagan não desperdiçou o que aprendeu em Hollywood e no show-business. Sabia usar o humor para suavizar confrontos políticos e ganhar o adversário ao longo da parada, ou pelo menos evitar que as coisas azedassem ainda mais. Um dos melhores exemplos aconteceu durante os exaltados protestos estudantis que marcaram a Califórnia e o resto do mundo nos anos 60. Na avaliação do desempenho do governador Reagan, Lou Cannon conclui que ele era uma mistura impecável de ideologia e pragmatismo, ou seja, possuía “uma combinação crucial para explicar suas conquistas políticas”. É uma avaliação que pode ser estendida para o desempenho de Reagan na Casa Branca, em particular, nas históricas negociações com o líder soviético Mikhail Gorbatchev. Muitos políticos de carreira minimizaram a atuação política do ex-ator Ronald Reagan. A história exigiu um revisionismo. Arnold Schwarzenegger poderá se dar por satisfeito se ao menos repetir o papel competente de Reagan na política da Califórnia. GOVERNOR REAGAN |
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