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Casa de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em uma campanha eleitoral na qual até diletos filhos da elite americana como John Kerry e Howard Dean vestem o manto populista e denunciam os privilégios, não é nenhuma surpresa que o livro de Kevin Phillips seja um best-seller. Mas ele descarrega sua fúria contra um outro aristocrata: George W. Bush. Para o ressentido Phillips, o presidente republicano é a quarta geração de uma família que tem usado e abusado de conexões econômicas, tramóias politicas e envolvimento com o aparato de segurança nacional para se estabelecer no centro do poder. Outros clãs (Kennedys, Roosevelts e Tafts) tentaram, mas só a dinastia Bush conseguiu. Phillips empreendeu uma longa jornada até descarregar sua fúria contra o que qualifica de Casa de Bush. Há 35 anos, ele era o estrategista de Richard Nixon que previu corretamente que o sul dos EUA iria se transformar em território republicano. Mas Phillips foi ficando cada vez mais alarmado com a cristalização de privilégios e as disparidades entre ricos e pobres em um país onde supostamente reina a meritocracia. Phillips aponta os Bushes como efetivos governantes hereditários da república americana. Ele foi fundo na história da família, começando com os bisavôs do atual presidente, George Herbert Walker e Samuel Prescott Bush. É uma trajetória que produziu dois presidentes pela primeira vez desde John Adams e seu filho John Quincy Adams há 200 anos. Os Georges Os governos dos dois Georges têm raízes em uma teia de interesses petrolíferos e bancários, sem falar de uma influente participação familiar no establishment de defesa e inteligência. Vale lembrar que o primeiro presidente Bush foi diretor da CIA. Esta é uma familia em que o avô do atual presidente, Prescott Bush, teve negócios com a Alemanha nazista até o ataque em Pearl Harbor. Com qual finalidade? Phillips afirma que os propósitos eram ganhar dinheiro e coletar dados de inteligência. Interesses familiares e nacionais sempre se mesclaram na dinastia Bush. Na estimativa do autor, nenhuma família americana ascendeu de forma tão gritante passo a passo com o complexo militar-industrial como a dinastia Bush. E ele arremata de forma ácida que o envolvimento da família com os serviços de inteligência e laços com corporações internacionais levaram à criação de um governo dentro do governo, sendo impossível separar a presidência de Bush pai da de Bush filho. Com sua exaltação, Phillips às vezes erra o alvo e, por exemplo, minimiza diferenças entre pai e filho, como internacionalismo x unilateralismo. Parte do segredo da dinastia Bush, em particular o atual presidente, é se mascarar como gente comum, quando na verdade ela acredita ter sangue azul. No livro, Phillips não se cansa de fazer analogias com monarquias. Ele diz que a eleição de George W. no ano 2000 (custasse o que custasse), oito anos após a derrota do seu pai para Bill Clinton, teve as tonalidades de uma vingativa e arrogante restauração de uma família real européia. Os temas e as denúncias de Kevin Phillips são munição para os democratas, mais ansiosos do que nunca para destronar um presidente republicano que tanto polariza o país. Mas apesar de sua fúria plebéia, Phillips não deixa escapar uma ironia. Se Hillary Clinton concorrer à presidência em 2008, o começo do século 21 será lembrado pelos duelos entre dinastias políticas na democracia americana. American Dinasty, Kevin Phillips, Viking, 397 páginas, US$ 29,95 |
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