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Atualizado às: 28 de novembro, 2003 - 16h50 GMT (14h50 Brasília)
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De Lincoln a Bush

Caio Blinder

Para as pessoas pouco familiarizadas com a história política americana é uma grande lição e um choque acompanhar a trajetória do Partido Republicano, conduzida por Lewis Gould. O ano que vem marca o sesquicentenário de um Partido fundado em 1854 para conter o alastramento da escravidão.

Com sua perspectiva de historiador e os olhos de um crítico social, Gould (professor da Universidade do Texas) traça a evolução republicana – quase que uma reversão ao longo do tempo de sua ideologia e base eleitoral. Gould sintetiza que o partido que nasceu "radical e reformista se tornou conservador". Críticos mais radicais diriam reacionário.

Gould é crítico do caráter camaleônico do partido. No seu panteão de presidentes republicanos mais influentes, o lugar de honra cabe a Abraham Lincoln.

Sim, o gigante antiescravocrata na Guerra Civil do século 19 era republicano. Na sua lista de mais influentes estão também o "progressista" Teddy Roosevelt, Dwight Einsenhower (que não mexeu no pacto social arquitetado pelo democrata Franklin Roosevelt) e Ronald Reagan.

Para Gould, Reagan é "transcendental" porque desgarrou o Partido Republicano de grande parte de sua própria história. Existem algumas consistências históricas no partido.

Os republicanos sempre tiveram alguns princípios sólidos como o nacionalismo, a ênfase no individualismo, no moralismo e na religião, mas com Reagan ocorreu a ruptura. Os republicanos se tornaram arautos de um "robusto conservadorismo", dedicados a enxugar o governo em casa e engordar o papel americano no exterior.

Gould diz que para o atual establishment republicano, Reagan é sem dúvida "o seu maior presidente, seu mais importante líder".

Menos programas sociais e mais armas.

Há uma história de legítimo poder político nos republicanos. Das 37 eleições presidenciais que disputou, o partido venceu 22. É um triunfo, mas aqui Lewis Gould expressa o argumento mais polêmico no livro. Ele vê os republicanos adotando uma atitude não saudável em relação aos adversários democratas.

Para Gould, muitos republicanos gostariam de ganhar o domínio total do sistema político americano através da "rendição incondicional ou mesmo completo desaparecimento do Partido Democrata". Um reflexo mais recente desta atitude foi a recusa das hostes de George W. Bush de aceitar a derrota nas eleições do ano 2000.

Diante das expectativas republicanas de que a presidência Bush sinalize a alvorada de uma nova era de hegemonia partidária, Lewis Gould evita previsões.

Mas os republicanos não podem sonhar em se tornar uma maioria partidária indiscutível sem o apoio de minorias raciais e étnicas. Seria mais fácil com alguém como Abraham Lincoln.

GRAND OLD PARTY

Lewis L. Gould

Random House, 597 páginas, US$ 35

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