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Atualizado às: 20 de fevereiro, 2004 - 12h19 GMT (09h19 Brasília)
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Uma América Democrata

Caio Blinder
No mapa político americano, o Congresso e os legislativos estaduais estão praticamente divididos entre republicanos e democratas. Nos últimos 16 anos, nenhum presidente conquistou mais de 50% dos votos.

Stanley Greenberg calcula que tem a fórmula para romper o impasse, e a favor dos democratas. Nem poderia ser diferente. Greenberg foi um dos marqueteiros da vitória de Bill Clinton em 1992. E que marqueteiro. Este é um livro meticuloso, com informações demográficas, pesquisas qualificadas e dados infindáveis. No mínimo, Greenberg convence por cansaço.

Pois bem, no país dividido cada partido tem uma base fiel de 46% do eleitorado. A briga é para persuadir os pequenos blocos de eleitores flutuantes, que estão nas categorias greenbergianas de homens com mestrado, senhoras de idade, católicos devotos, operários brancos pré-aposentadoria, suburbanos hi-tech etc.

Eles são flutuantes porque não existe eleitor capaz de se satisfazer com o pacote total de um dos dois partidos.

Muita gente afluente concorda com a política econômica do governo Bush, mas quer distância das batalhas sociais da direita cristã. Em contrapartida, há operários seduzidos pelo discurso populista dos democratas, mas são avessos ao laissez-faire moral.

No seu livro, Greenberg descreve duas categorias básicas de votantes. Esses dois grupos refletem como os eleitores e os partidos gostariam de se imaginar. Greenberg escolhe o rótulo "Democratas JFK" (iniciais de John Fitzgerald Kennedy). É um grupo basicamente interessado em uma política social que se concentra em crescentes oportunidades de educação e trabalho.

Os republicanos são os "filhos de Ronald Reagan", adeptos de uma América que promove agressivamente seus interesses no exterior, com uma forte fé religiosa e crença na habilidade dos empreendedores para gerar prosperidade.

George W. Bush é filhote de Reagan, e Greenberg acredita que chegou a hora de ir além de uma crítica a politicas específicas do atual presidente. Ele visualiza uma "batalha épica" entre a revolucionária visão de mundo de Reagan e a ousada visão de oportunidade de JFK.

Para Greenberg, é preciso "lançar um assalto contra todo o projeto de Reagan – a idéia de que os cortes de impostos para os ricos, enriquecendo poucos, além de políticas corporativas e pró-mercado, sejam o melhor caminho para trazer a prosperidade como um todo".

Greenberg conclama seu partido a carregar a faixa da "América 100%", ou seja, um projeto dedicado a uma sociedade em que realmente haja oportunidades para todos compartilharem a riqueza do país mais rico do mundo.

O marqueteiro Greenberg, munido dos seus dados, tem fé que com esse projeto será possível romper o impasse: os democratas manteriam o suporte do seu núcleo fiel e conquistariam blocos significativos dos eleitores flutuantes.

Nas primárias democratas, o ainda vivo senador John Edwards assume o otimismo kennedyano de oportunidades prescrito por Greenberg (inclusive o slogan “Duas Américas”), mas John Forbes Kerry – que investiu com um pouco menos de ênfase no populismo económico – prepara-se para vestir o manto de vencedor.

Sim, um senador por Massachussetts com as iniciais JFK. Resta saber, em primeiro lugar, se tudo isto irá funcionar em novembro contra o filhote de Reagan, George W. Bush, e, mais importante para o debate em torno do livro de Greenberg, se uma eventual vitória será suficiente para romper o impasse da política americana.

The Two Americas, Stanley B. Greenberg, St. Martin's Press, 400 páginas, US$ 25

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