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Atualizado às: 30 de abril, 2004 - 09h47 GMT (06h47 Brasília)
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Livro exagera nas denúncias das relações entre Bush e sauditas

Caio Blinder
House of Bush, House of Saud é um livro ambíguo, insinuante e cheio de armadilhas, como as relações entre duas poderosas dinastias: a família Bush, dos EUA, e a família real saudita.

O tom conspiratório do livro, à primeira vista, faz todo o sentido. Basta lembrar um momento destas relações: por que o governo Bush aprovou a saída secreta dos Estados Unidos de 140 sauditas, entre eles, duas dúzias de parentes de Osama bin Laden, em 13 de setembro de 2001, quando o espaço aéreo estava fechado após os atentados 48 horas antes?

O autor Craig Unger não tem uma resposta específica. E quem tem, pelo menos até agora? Mas com este mistério em 13 de setembro de 2001 fica patente uma de suas aspirações. Para Unger, a "relação secreta entre estas duas grandes famílias ajudou a desencadear a Idade do Terror e a tragédia do 11 de setembro".

Provar este conluio (complacência americana com o envolvimento saudita no terror global) é uma grande salto da outra aspiração do livro, bem mais fundamentada: dar os detalhes das décadas dos negócios e laços pessoais entre o clã Bush e a elite saudita.

Como no recém-publicado livro American Dinasty, de Kevin Philips, Unger é infatigável nas suas investigações sobre o casamento das atividades petroliferas e bancárias da família Bush com os interesses estratégicos dos EUA. Deste casamento, nascem mais riqueza e mais poder para a dinastia.

Mas, de novo, é um grande salto provar uma cabala sinistra. Aqui vai um exemplo: Unger lembra que os sauditas injetaram dinheiro no negócio petrolífero de George W. Bush, Harken Energy, mas a Universidade de Harvard e o bilionário George Soros (hoje na linha de frente de oposição à política externa da Casa Branca) também investiram substancialmente na empresa.

O tom conspiratório do livro nos desvia dos genuínos problemas da postura antiterrorista do governo americano. Hoje parece claro que o presidente Bush não respondeu com a devida urgência às advertências sobre o risco da rede Al-Qaeda antes do 11 de setembro.

O problema não era afeição aos sauditas, mas o foco em ameaças mais tradicionais, típicas da Guerra Fria. Está certo que 15 dos 19 terroristas suicidas eram sauditas, mas Craig tampouco tem como provar o patrocínio direto da Casa Saud a atividades terroristas, apesar dos seus laços com o fundamentalismo islâmico.

Craig Unger conspira pela esquerda. Obviamente não faltam conspirações à direita. No seu livro The French Betrayal of America (A Traição Francesa dos Estados Unidos, Crown Forum, 309 páginas, US$ 25), Kenneth Timmerman revela as minúcias de três décadas de associação entre Saddam Hussein e o presidente francês Jacques Chirac.

Em 1975, o então jovem primeiro-ministro Chirac foi pessoalmente ao aeroporto Orly receber Saddam, que ainda estava ascendendo ao poder. Era uma oportunidade de ouro para fortalecer as relações da França com uma potência petrolífera como contrapeso à aliança dos Estados Unidos com a Arábia Saudita.

Nos anos seguintes, a França foi generosa com os iraquianos na venda de sofisticado equipamento militar e na construção do reator nuclear destruído pelos israelenses em 1981. Mas, como Unger, Timmerman dá saltos largos e discutíveis.

Sem provar, ele sugere que dinheiro iraquiano azeitou a máquina política de Chirac.

Já há erros e corrupção suficientes nas políticas externas dos EUA e França sem a contribuição de conspirações literárias e jornalísticas.

House of Bush, House of Saud, Craig Unger, Editora Scribner, 368 páginas, US$ 26

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