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Livro narra ascensão de aliados de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governador do Texas George W. Bush era lendário pela ignorância e inexperiência em política externa quando estava na campanha presidencial no ano 2000. Lembra-se? Ele não sabia quem era o presidente do Paquistão. Para compensar, Bush reuniu um núcleo de conselheiros, que se apelidaram de "vulcanos", em alusão aos deus romano do fogo e metal, para transmitir uma imagem de poder, dureza e durabilidade. O livro de James Mann - um ex-correspondente internacional do Los Angeles Times, atualmente associado ao Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos, em Washington - narra de forma meticulosa a história destes seis forjadores (cinco homens e uma mulher) da política externa e de segurança nacional da campanha de Bush e que hoje ocupam posições-chaves no governo republicano. Os "vulcanos" são o vice-presidente Richard Cheney, o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld e seu sub, Paul Wolfowitz, o secretário de Estado Colin Powell e seu sub, Richard Armitage, e a assessora de segurança nacional Condoleezza Rice. Denominador comum Há conhecidas diferenças entre os forjadores (o mais internacionalista Powell contra o núcleo duro que é a dobradinha Cheney-Rumsfeld), mas o foco de Mann é a visão comum que une este grupo subordinado ao imperador. O denominador comum mais crucial é a ênfase na força militar. Existe uma relutância em buscar uma acomodação com outros poderes. O grupo tem origem na ala do Partido Republicano moralista e absolutista, que não aceitava a "realpolitilk" e o relativismo moral de Henry Kissinger. Os "vulcanos" encaram com muita desconfiança (para não dizer desprezo) alianças internacionais. Eles têm uma visão expansiva da capacidade americana para impor seus interesses. O livro detalha a discordância dos "vulcanos" com as idéias em meados dos anos 80 do historiador Paul Kennedy de que o império americano estava em declínio. Alguns dos "vulcanos" se conhecem desde o governo Nixon, há mais de 30 anos (Cheney e Rumsfeld), e estavam possuídos de um senso churchilliano de longa preparação para uma grande missão histórica. Grupo de elite No livro, Mann mostra como a educação, experiência, carreira e interações desse grupo de elite levaram-no a remodelar a estratégia de segurança nacional, cujo pilar agora é a doutrina do ataque preventivo baseada no status americano de única superpotência. Quase todos os "vulcanos" cresceram imbuídos pela ideologia da Guerra Fria e Mann argumenta que aquele momento histórico forjou suas visões correntes, assim como o legado da Guerra do Vietnã, um fracasso militar, político e psicológico que precisava ser revertido. Desde os anos 80, portanto, os "vulcanos" atuavam para restaurar a disposição dos EUA em usar ativamente o seu poder e para reconstruir a confiança nacional na superioridade dos ideais e objetivos americanos. Nestes termos, a política agressiva, unilateral e intervencionista dos Estados Unidos é mais do que uma resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. É produto do pensamento que se estende por uma geração. James Mann é um narrador sem paixões ou juízos de valor. No seu livro não há as perguntas desconfortáveis, mas pertinentes: será que esta política externa é correta? A invasão do Iraque foi uma boa idéia? Os Estados Unidos estão de fato se transformando em um império? Será que justificativas tão moralistas para ações subsistem na prática graças a mentiras? Num livro sobre um governo tão ideológico, falta uma discussão mais ideológica. Rise of the Vulcans, James Mann, Viking, 426 páginas, US$ 29,95 |
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