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Comparar Bush com líderes do passado exige elasticidade

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Bush vai homenagear veteranos da Segunda Guerra Mundial
Em meio às incertezas do presente e os dilemas do futuro no Iraque, George W. Bush invoca as forças do passado.

É uma marcha da nostalgia que teve um grande momento na inauguração no sábado do memorial de Washington que celebra os veteranos da Segunda Guerra Mundial e que deve culminar com a invasão das praias da Normandia por líderes mundiais no próximo domingo, para a solenidade que irá marcar os 60 anos do Dia D.

Em busca de inspiração e de cobertura, Bush recrutou os fantasmas de Franklin Roosevelt e Winston Churchill. E foi além. No Salão Oval da Casa Branca, Bush trabalha na mesa que foi do gigantesco presidente americano e tem um busto do monumental estadista britânico.

Bush faz analogias entre sua parceria com o primeiro-ministro Tony Blair à epopéia conjunta de Roosevelt e de Churchill na Segunda Guerra. Lá está a comparação implícíta. Há 60 anos era a luta contra o nazismo. Neste começo do século 21 é a chamada guerra contra o terror e o Iraque.

Elasticidade histórica

O paralelo às vezes é explícíto. Num discurso em fevereiro, Bush afirmou que "nós somos os herdeiros da tradição de liberdade, defensores da liberdade, da consciência e da dignidade de cada pessoa. Outros, antes de nós, mostraram bravura e clareza moral nesta causa".

Jon Meacham, editor da revista Newsweek que escreveu um livro sobre a "amizade épica" entre Roosevelt e Churchill, diz que existe elasticidade histórica na comparação entre a clareza moral e inimigos definidos que havia na Segunda Guerra e as cruzadas contemporâneas de Bush.

Meacham é mais flexível para admitir a comparação entre a luta contra o nazismo e o fundamentalismo islâmico, mas o Iraque é uma outra história.

Muita elasticidade é necessária para colocar Bush no pedestal de Churchill e de Roosevelt. Não se trata apenas da magnitude da tarefa histórica, mas do estilo de liderança e do caráter.

Churchill e Roosevelt escutavam, tinham momentos de humildade e assumiam a angústia de decisões que envolviam a vida de milhões de pessoas. Os dois estavam preparados para alterar posições iniciais e sabiam que a implementação de grandes planos exigia paciência.

Basta ver o caso do próprio Dia-D. Generais americanos queriam lançar o ataque em 1942-43, mas Churchill convenceu Roosevelt que era preciso esperar até 1944 para acumular força e experiência.

Triunfo do improviso

Há um tremendo contraste entre Roosevelt e Bush. O presidente democrata reconhecia que a enormidade da causa demandava unidade nacional e convocou influentes republicanos para integrar o seu ministério.

E ao lado de Churchill, ele sabia que não se engaja na guerra sem o planejamento metódico do pós-guerra. Três anos antes da rendição nazista, trabalhava-se na arquitetura de um novo mundo. No Iraque de hoje, é o triunfo do improviso.

Para Roosevelt, o uso da força e os recursos da diplomacia eram inseparáveis. Ele atuava com uma visão multilateral tanto na guerra como no pós-guerra.

E para Bush, que imagina ter tanto em comum com Churchill a ponto de considerá-lo uma espécie de texano, aqui vai uma pérola de sabedoria do estadista britânico: a única coisa pior que ter aliados é não ter aliados.

Pedir ajuda não é fraqueza moral.

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