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Atualizado às: 26 de abril, 2004 - 18h47 GMT (15h47 Brasília)
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Ativistas pró-aborto mostram a força dos liberais nos EUA

Manifestação em Washington
As mulheres lotaram o The Mall em Washington
E elas marcharam em Washington. Eram avós, filhas e netas, na companhia de aliados do sexo oposto.

Os números sobre a marcha pelo direito ao aborto no domingo variam (de 500 mil a 800 mil participantes), mas o recado político contra o governo Bush foi preciso. O aborto deve ficar; o presidente deve ir embora.

Num país polarizado, a parcela que, a grosso modo, pode ser rotulada de mais liberal mostrou que tem condições de se mobilizar de forma vigorosa e acena com a promessa de canalizar sua fúria nas eleições presidenciais de novembro.

A marcha pró-aborto ofuscou outros protestos no fim de semana em Washington contra o FMI, Banco Mundial e a globalização em geral. E vale tomar nota que foi muito maior do que os protestos contra a guerra no Iraque de um ano para cá, evidenciando a paixão de uma causa tão associada ao movimento feminista.

Há fúria e inquietação no setor do país pró-aborto. Pesquisas recentes indicam o aumento do sentimento antiaborto e apatia de mulheres mais jovens que não precisaram lutar por seus direitos como as mães e avós.

Na marcha de domingo estavam ícones do movimento feminista como Gloria Steinem, 70 anos, e Kate Michelman, que discursou ao lado da neta.

E o movimento pró-aborto tem adversários igualmente resolutos e sofisticados. O presidente George W. Bush nunca escondeu ser contra o aborto, mas admite que o país não está pronto para rechaçá-lo de forma taxativa.

A tática do establishment republicano (e que incomoda a direita cristã intransigente) é reverter gradualmente as conquistas obtidas desde a legalização do aborto pela Suprema Corte em 1973.

Mobilização

Para os setores que apóiam o direito ao aborto, o gradualismo conservador em si já é nefasto e pode simplesmente ficar de lado com a reeleiçao de Bush em novembro. Há uma frágil maioria pró-aborto de 5 x 4 na Suprema Corte e os republicanos de Bush teriam espaço para um realinhamento mais conservador.

A marcha de domingo em Washington era supostamente não-partidária, mas suas cores, slogans e disposição eram nitidamente democratas e várias lideranças feministas já endossaram a candidatura do senador John Kerry, que se diz pessoalmente contra o aborto, mas defende o direito da mulher escolher.

A mensagem eleitoral era escancarada. A senadora Hillary Clinton disse "que qualquer mulher que veio hoje marchar e não se registrar para votar está desperdiçando o tempo dela e o nosso".

Com as eleições de novembro no horizonte, a espetacular adesão à marcha de Washington deixou claro como temas sociais podem mobilizar as mulheres e eleitores flutuantes.

Subtemas da mobilização de domingo eram um sistema médico inadequado, as deficiências da estrutura previdenciária, as incertezas econômicas e a guerra do Iraque. Lideranças pró-aborto e pró-Kerry têm expectativa que a energia e a paixão subsistam e esquentem na temporada eleitoral.

Mas nunca se pode esquecer como os temas sociais e religiosos polarizam os americanos. Os liberais se mobilizaram brilhantemente. As avós, filhas e netas da direita cristã não vão assistir passivamente a essa arrancada.

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