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Depoimento de Rice deve ter efeito limitado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
E assim falou Condoleezza Rice, em público e sob juramento. O depoimento na quinta-feira da assessora de Segurança Nacional do presidente George W. Bush diante da comissão bipartidária que investiga as circunstâncias dos atentados de 11 de setembro de 2001 foi uma réplica articulada, profissional e vigorosa às denúncias tempestuosas feitas diante da mesma comissão por Richard Clarke, o ex-assessor de contraterrorismo do governo Clinton que Condoleezza Rice manteve na sua equipe em nome da continuidade operacional. Ao contrário do que denunciou Clarke, o governo Bush nunca minimizou a ameaça da rede Al-Qaeda antes do 11 de setembro, embora "tivesse também outras prioridades" como a defesa antimíssil. Rice admitiu que havia alguns sinais de um grande ataque terrorista, mas insistiu não haver uma solução mágica para preveni-lo ou informações que indicassem que aviões com terroristas suicidas seriam usados como mísseis em Nova York e Washington. Usando o jargão burocrático, ela observou que até para a coleta eficiente de informações existiam "impedimentos legais e estruturais" antes do 11 de setembro, como a falta de comunicação entre o FBI e a CIA. Foi preciso um "evento catastrófico" para alterar o cenário. E aqui já ficou clara a natureza política do testemunho. Desculpas A comissão é bipartidária, mas os integrantes democratas eram mais afiados nas perguntas e na cobrança de que as pessoas da estrutura do governo (ou seja Bush ou Rice) não podem se eximir de responsabilidade. E, ao contrário de Richard Clarke, a assessora de segurança nacional não pediu desculpas às famílias das vítimas dos atentados que acompanhavam o testemunho de quase três horas transmitido pelas redes de televisão americanas. De certa maneira, Condoleezza Rice confirmou as alegações de Clarke sobre a obsessão da administração Bush com Iraque, dizendo que logo após os atentados houve uma discussão sobre "fazer alguma coisa sobre o Iraque", mas que o foco foi direcionado para o Afeganistão. Mas ela aproveitou a ocasião para uma firme defesa da invasão do Iraque, dizendo que era preciso optar entre uma "guerra ampla e ousada contra o terror global" ou uma guerra estreita contra a rede Al-Qaeda. O impacto deste testemunho é limitado. Ele valeu muito pelo espetáculo público de uma assessora de Segurança Nacional de um governo que se pauta por sua eficiência em questões de segurança nacional ter sido inquirida por supostas falhas em segurança nacional. Mas Condoleezza Rice não teve a última palavra. Ela caberá a uma comissão que terá cada vez mais dificuldades para se posicionar acima das rivalidades partidárias e não ser impelida para o turbilhão deste ano eleitoral. O impacto também é limitado pela acirrada concorrência com o Iraque, outro evento espetacular que coloca em dúvida a liderança presidencial em segurança nacional e antiterrorismo. Para a opinião publica americana, foi o impacto das palavras de Condoleezza Rice contra as imagens de corpos americanos incinerados e mutilados em Falluja, a capa do sempre influente New York Times com a foto de um "marine" carregando o saco preto com o companheiro abatido em combate ou o discurso pouco convincente da Casa Branca que a situação no Iraque é grave, mas está sob controle. |
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