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Atualizado às: 06 de abril, 2004 - 14h07 GMT (10h07 Brasília)
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Lucas Mendes: Condoleezza na cozinha
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Um jornalista brasileiro examinou a foto de Condoleezza Rice na capa da revista Time semana passada e comentou: no Brasil ela seria Conceição e lá no Alvorada não passaria de cozinheira.

Há 30 anos, eu estava no lobby de um hotel em San Francisco com o ex-presidente Juscelino Kubitschek e dona Sara.

Por algum motivo, ela tomou antipatia de uma das recepcionistas, uma negra bonita com umas tranças vistosas.

Atrevidinha, lá em casa seria arrumadeira, dona Sara comentou com o marido. Juscelino não respondeu.

As mulheres americanas gostam menos do presidente Bush do que os homens, mas nenhum outro ocupante da Casa Branca deu tanta forca às mulheres na cozinha do poder.

Uma é Condoleezza Rice.

A outra é Karen Hughes, que está com o presidente desde sua primeira eleição para governador. Tinha pedido demissão para ficar com a família no Texas, mas acaba de voltar para assessorá-lo na campanha de reeleição.

Esta semana quem está na berlinda é a cozinheira da Seguranca Nacional.

Condoleezza cresceu na racista Alabama, onde quatro amigas, criancas como ela, morreram queimadas num atentado racial.

Vem de família humilde, mas com muita disciplina.

Condoleezza foi concertista de piano, competiu em patinação no gelo, cresceu falando francês e espanhol.

Tem um inglês mais educado do que o presidente, falado em parágrafos completos, claros e sem vacilação.

A competência de Condoleezza sobre superpotências em geral e a União Soviética em particular chamou a atenção de Brent Scowcroft.

Ela fez parte da equipe dele na assessoria de Segurança Nacional do primeiro presidente Bush.

Voltou para a vida acadêmica e era vice-reitora da Universidade Stanford quando foi convidada para assessorar o candidato Bush na última campanha contra o democrata Al Gore.

Ela passa os fins de semana e as férias com o presidente.

Nenhum outro assessor chega tão perto dele e sabe mais sobre o que o presidente fez ou deixou de fazer para proteger o país contra o terror.

O depoimento dela diante da comissão do 11 de Setembro nesta quinta pode queimar ou tirar o presidente dessa fritura.

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