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Adeus América | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O inglês Alistair Cooke conheceu George Bernard Shaw, conversou sobre golfe com o presidente Eisenhower, foi amigo de Charlie Chaplin, entrevistou e escreveu centenas de perfis, entre eles de Greta Garbo, Grouxo Marx, Gary Cooper. No universo das celebridades e dos americanos poderosos é mais fácil fazer a lista de quem Alistair Cooke não entrevistou nem conheceu. Ele entrou na BBC em 1935, como crítico de cinema. Em 46, já vivendo nos Estados Unidos, Cooke convenceu a BBC a transmitir Carta da América, uma coluna na qual ele explicaria este país e seus fenômenos para 22 milhões de ouvintes da BBC. Uma lição americana semanal de 13 minutos e 30 segundos. Cooke cobriu 11 presidentes e acha que Jimmy Carter foi o mais inteligente deles. Publicou vários livros, inclusive um sobre esportes. Seu favorito é o golfe. Na musica Cooke tem dois ídolos, Duke Ellington e George Gershwin. No boxe, escreveu Alistair Cooke, quilo por quilo, Sugar Ray Robinson foi o maior campeão de todos os tempos. Além de explicar os americanos para os ingleses, durante 22 anos Alistair Cooke foi o apresentador de Masterpiece Theater, uma das mais bem-sucedidas séries da BBC para televisão. No começo e no fim da cada programa, Alistair Cooke explicava os ingleses para os americanos. Na semana passada, por recomendação do médico, Alistair Cooke, com 95 anos, escreveu e gravou sua última Carta da América. Foi sobre os dois presidentes – Bush, Saddam Hussein – e o novo otimismo dos democratas com o senador Kerry. A coluna durou 58 anos, quase 3 mil cartas no ar, o programa individual de maior duração na História do rádio. Obrigado Alistair Cooke, adeus América. |
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