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Governo Clinton fez o que podia contra Al-Qaeda, diz Albright | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Madeleine Albright, secretária de Estado americana durante o governo de Bill Clinton, afirmou nesta terça-feira que o então presidente e sua equipe fizeram tudo o que podiam imaginar, baseados nas informações que tinham, para acabar com a organização Al-Qaeda, de Osama Bin Laden. Albright foi a primeira testemunha a prestar depoimento diante da comissão independente americana que investiga as circunstâncias que cercaram os atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Além de Madeleine Albright, os atuais secretários de Estado, Colin Powell, e de Defesa, Donald Rumsfeld, e o antecessor de Rumsfeld, William Cohen, também prestam depoimento à comissão nesta terça-feira. A investigação ocorre logo após as declarações de Richard Clarke, ex-assessor antiterrorismo da Casa Branca, que acusou o presidente George W. Bush de ignorar a ameaça representada pela Al-Qaeda, antes dos atentados de 11 de setembro, para se concentrar em atacar o Iraque. Vírus ideológico Durante o depoimento desta terça-feira, Albright disse que o governo Clinton tentou de maneira constante convencer o regime do Talebã no Afeganistão a entregar Osama Bin Laden, mas a pressão não foi suficiente. Madeleine Albright também aconselhou o atual governo americano a não tratar a Al-Qaeda como uma organização militar, e sim como uma ideologia que precisa ser combatida. "A Al-Qaeda é um vírus ideológico. Até que o remédio certo seja encontrado, o vírus vai continuar a se espalhar", disse. "Nós precisamos garantir que Bin Laden afunde como um assassino, traidor do Islã e um perdedor", acrescentou. A ex-secretária de Estado disse que, após os atentados do último dia 11 em Madri, os Estados Unidos devem esperar mais ataques em solo americano. De acordo com Albright, o objetivo dos atentados é aumentar as divisões. A ex-secretária de Estado pediu, no entanto, que a população americana reaja e se una para derrotar os responsáveis pelos ataques. 'Oportunismo' Justin Webb, correspondente da BBC em Washington, diz que Rumsfeld e Powell vão defender o governo da acusação de não ter levado a Al-Qaeda de maneira séria o suficiente antes dos ataques contra o World Trade Center e o Pentágono.
Na quarta-feira, Richard Clarke também deve prestar depoimento à comissão independente que investiga o 11 de Setembro. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, acusou Clarke de oportunismo político por criticar o governo poucos meses antes das eleições presidenciais marcadas para novembro. O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que Clarke nitidamente ignorava muito daquilo que estava ocorrendo quando atuava como assessor da Casa Branca. Cheney também questionou a efetividade de Clarke como articulador de esforços antiterroristas e citou como exemplos os ataques às embaixadas americanas no leste da África em 1998. Bin Laden Os depoimentos de Albright, Powell, Rumsfeld e Cohen fazem parte da oitava audiência pública da comissão bipartidária criada em 2002. As audiências abordam "a formulação e a condução da política de contraterrorismo dos Estados Unidos, com ênfase em particular no período entre os atentados de agosto de 1998 (no Quênia e na Tanzânia) e 11 de setembro de 2001". O presidente da comissão, Thomas Kean, disse lamentar que a assessora de Segurança Nacional do governo Bush, Condoleezza Rice, tenha recusado o convite para depor à investigação. Kean afirmou, no entanto, que os membros da comissão participaram de "abrangentes" encontros privados com Rice e que a assessora de Bush "cooperou" com a investigação. Na quarta-feira, a comissão também deve ouvir os depoimentos de Sandy Berger, assessor de Segurança Nacional do governo Clinton, e George Tenet, diretor da CIA (agência de inteligência americana). Um comunicado da comissão, apresentado antes das audiências, se concentrou nos esforços diplomáticos dos Estados Unidos durante o governo Clinton para tentar prender Osama Bin Laden e levá-lo a julgamento. O comunicado disse ainda que o governo Bush não desenvolveu iniciativas diplomáticas para lidar com a Al-Qaeda. |
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