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Governo Bush tenta evitar paralelo entre Iraque e Somália | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Poucas coisas incomodam tanto o governo Bush como paralelos com o seu predecessor Bill Clinton. Mas as cenas horripilantes e macabras dos corpos de americanos incinerados e mutilados em Fallujah, na quarta-feira, para o delírio de uma multidão, levaram a uma associação automática com as imagens de soldados dos EUA arrastados pelas ruas de Mogadiscio, na Somália, em 1993. Há 11 anos, o governo Clinton e a opinião pública americana simplesmente não tiveram estômago. A tropa voltou para casa. Na quarta-feira, a Casa Branca teve uma reação automática: não aceitou os paralelos e descartou uma retirada. Credibilidade E de fato, muito mais está em jogo e o cenário é muito diferente. A invasão do Iraque foi pedra-de-toque da política externa de Bush. A Somália foi um acidente de trabalho do governo Clinton. O benefício de permanecer na África era de longe suplantado pelo desgaste. No caso do Iraque, sair agora seria uma catástrofe estratégica e política para Bush. Michael O'Hanlon, analista do Instituto Brookings, é preciso: "A credibilidade do presidente está em jogo e o nível de investimento feito é de longe muito maior do que na Somália". Ademais, por mais horríveis que sejam as cenas, morticínio faz parte do cotidiano do Iraque pós-guerra. E cinicamente pode-se dizer que a opinião pública mundial está acostumada ao macabro (e em alguns casos anestesiada) quando é submetida sistematicamente a imagens como as torres derrubadas do World Trade Center, Bali ou Madri. Divergências De qualquer forma, para as empresas de mídia é sempre uma decisão atroz o que mostrar. Nos EUA, houve uma divisão. Algumas das grandes redes de televisão mostraram as imagens mais horripilantes. Outras foram mais comedidas. O mesmo aconteceu na imprensa escrita. É sintomático que o jornal mais influente do país, o New York Times, avesso ao sensacionalismo, optou por uma foto forte dos corpos de dois dos americanos incinerados pendurados em uma ponte sobre o rio Eufrates. Os corpos estão ao fundo. O flagrante mais nítido é de iraquianos em júbilo. A questão política crucial é o limite de baixas americanas (civis ou militares) no Iraque que a opinião pública dos EUA está disposta a tolerar. Popularidade Na seqüência, a questão é como o governo Bush reagiria a um maior nível de intolerância. Em termos concretos, as pesquisas mostram uma queda substancial do número de americanos que consideram que a invasão do Iraque tenha sido uma decisão correta. Eram mais de três quartos quando a guerra começou em março do ano passado. Agora pouco mais da metade dos americanos cerram fileiras com George W. Bush. E num estado de espírito preocupante para a Casa Branca, mais da metade dos consultados (51%) em uma pesquisa da rede de televisão CBS e do New York Times disseram que um futuro risonho para o Iraque não compensa a perda de vidas americanas, em contraste a 42% que disseram que sim. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que o governo Bush não será "intimidado" por espetáculos macabros. A aposta ficará mais alta à medida em que se aproximam a devolução da soberania ao Iraque em julho e, obviamente, as eleições americanas em novembro. |
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