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Atualizado às: 01 de abril, 2004 - 16h57 GMT (12h57 Brasília)
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Governo Bush tenta evitar paralelo entre Iraque e Somália

carro queimando em Fallujah
Poucas coisas incomodam tanto o governo Bush como paralelos com o seu predecessor Bill Clinton.

Mas as cenas horripilantes e macabras dos corpos de americanos incinerados e mutilados em Fallujah, na quarta-feira, para o delírio de uma multidão, levaram a uma associação automática com as imagens de soldados dos EUA arrastados pelas ruas de Mogadiscio, na Somália, em 1993.

Há 11 anos, o governo Clinton e a opinião pública americana simplesmente não tiveram estômago. A tropa voltou para casa.

Na quarta-feira, a Casa Branca teve uma reação automática: não aceitou os paralelos e descartou uma retirada.

Credibilidade

E de fato, muito mais está em jogo e o cenário é muito diferente.

A invasão do Iraque foi pedra-de-toque da política externa de Bush. A Somália foi um acidente de trabalho do governo Clinton.

O benefício de permanecer na África era de longe suplantado pelo desgaste.

No caso do Iraque, sair agora seria uma catástrofe estratégica e política para Bush.

Michael O'Hanlon, analista do Instituto Brookings, é preciso: "A credibilidade do presidente está em jogo e o nível de investimento feito é de longe muito maior do que na Somália".

Ademais, por mais horríveis que sejam as cenas, morticínio faz parte do cotidiano do Iraque pós-guerra.

E cinicamente pode-se dizer que a opinião pública mundial está acostumada ao macabro (e em alguns casos anestesiada) quando é submetida sistematicamente a imagens como as torres derrubadas do World Trade Center, Bali ou Madri.

Divergências

De qualquer forma, para as empresas de mídia é sempre uma decisão atroz o que mostrar.

Nos EUA, houve uma divisão. Algumas das grandes redes de televisão mostraram as imagens mais horripilantes.

Outras foram mais comedidas. O mesmo aconteceu na imprensa escrita.

É sintomático que o jornal mais influente do país, o New York Times, avesso ao sensacionalismo, optou por uma foto forte dos corpos de dois dos americanos incinerados pendurados em uma ponte sobre o rio Eufrates.

Os corpos estão ao fundo. O flagrante mais nítido é de iraquianos em júbilo.

A questão política crucial é o limite de baixas americanas (civis ou militares) no Iraque que a opinião pública dos EUA está disposta a tolerar.

Popularidade

Na seqüência, a questão é como o governo Bush reagiria a um maior nível de intolerância.

Em termos concretos, as pesquisas mostram uma queda substancial do número de americanos que consideram que a invasão do Iraque tenha sido uma decisão correta.

Eram mais de três quartos quando a guerra começou em março do ano passado.

Agora pouco mais da metade dos americanos cerram fileiras com George W. Bush.

E num estado de espírito preocupante para a Casa Branca, mais da metade dos consultados (51%) em uma pesquisa da rede de televisão CBS e do New York Times disseram que um futuro risonho para o Iraque não compensa a perda de vidas americanas, em contraste a 42% que disseram que sim.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, disse que o governo Bush não será "intimidado" por espetáculos macabros.

A aposta ficará mais alta à medida em que se aproximam a devolução da soberania ao Iraque em julho e, obviamente, as eleições americanas em novembro.

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