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Bush 'sabia da Al-Qaeda', dizem secretários | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os secretários de Defesa e de Estado dos Estados Unidos prestaram depoimento nesta terça-feira em um inquérito independente sobre as circunstâncias relacionadas aos ataques de 11 de setembro de 2001 no país. Tanto o secretário de Estado, Colin Powell, quanto Donald Rumsfeld, da Defesa, defenderam a conduta do presidente George W. Bush, dizendo que pouco depois de ele ter assumido o poder pediu a elaboração de uma estratégia para desarticular a rede extremista Al-Qaeda - responsabilizada pelos atentados em Washington e Nova York. Rumsfeld disse que o presidente não havia recebido dados de inteligência antes do ataque que pudessem levar à conclusão de que a possibilidade de que um atentado da Al-Qaeda em território americano era iminente. “Em primeiro lugar, eu não tenho conhecimento da existência de nenhum dado de inteligência anterior a 20 de janeiro de 2001 (quando Bush assumiu o governo) que poderia ter sido usado como base para que os Estados Unidos atacassem, capturassem ou matassem (o líder da Al-Qaeda) Osama Bin Laden”, disse Rumsfeld. “Em segundo lugar, mesmo se Bin Laden tivesse sido capturado ou morto nas semanas anteriores ao 11 de Setembro, ninguém que eu conheço hoje acredita que isso teria evitado o 11 de Setembro.” “Moscas” Segundo os depoimentos apresentados à comissão, no dia anterior aos ataques de 2001 o governo Bush havia finalmente chegado a uma conclusão quanto a uma estratégia para afastar a milícia Talebã do poder no Afeganistão, acabando com o refúgio que a milícia estava dando a Bin Laden no país. Rumsfeld disse que, antes do 11 de Setembro, teria sido impossível conseguir apoio do Congresso americano ou da opinião pública do país à invasão do Afeganistão. Mais cedo, Colin Powell havia dito que membros do atual governo haviam recebido de membros do governo Bill Clinton detalhados relatórios das ameaças representadas pela Al-Qaeda e pelo Talebã, quando Clinton estava deixando a Casa Branca. Bush, segundo Powell, pediu que seu governo adotasse uma abordagem mais agressiva em relação a esses grupos, abandonando a política de “contenção” de Clinton. “Estou cansado de matar moscas”, teria dito Bush, de acordo com Powell. “Não era mais uma questão de impor restrições ou reduzir a eficiência (da Al-Qaeda). Nosso objetivo passou a ser destrui-la”, explicou o secretário. “Nós sabemos que reduzimos a habilidade da rede de operar no Afeganistão, mas sabemos que eles estão tentando se recriar em algum outro lugar. Nós temos que caçá-los”, completou.
Albright e Cohen Também prestaram depoimento nesta terça-feira os antecessores de Powell e Rumsfeld durante a administração Clinton – William Cohen e Madeleine Albright. Albright disse à comissão de inquérito que o presidente Clinton fez tudo o que podia para derrotar a Al-Qaeda e Osama Bin Laden. A ex-secretária de Estado revelou que Clinton autorizou ações para “neutralizar” Bin Laden depois dos ataques contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998. Mas, apesar dos esforços, o governo “não foi capaz de enxergar a tempestade se formando”, disse William Cohen em seu depoimento. Clarke e Bush Na segunda-feira, o ex-assessor antiterrorismo da Casa Branca, Richard Clarke, havia acusado o presidente de ignorar o perigo representado pela Al-Qaeda, se concentrando na possível ameaça representada pelo Iraque. Clarke, que publicou um livro com as acusações contra Bush, deve ser ouvido na comissão nesta quarta-feira, juntamente com o diretor da CIA (Central de Inteligência Americana), George Tenet; o ex-conselheiro de Segurança Nacional, Samuel Berger; e o vice-secretário de Estado, Richard Armitage. Bush, em suas primeiras declarações em público sobre as acusações de Clarke, disse nesta terça-feira que ele teria tomado medidas mais rapidamente contra a Al-Qaeda se ele tivesse tido acesso a mais informações sobre a ameaça representada pelo grupo antes dos ataques do 11 de Setembro. “Se meu governo tivesse recebido quaisquer informações de que terroristas iriam atacar Nova York em 11 de setembro, nós teríamos agido”, disse o presidente americano. Em um relatório preliminar de suas conclusões, a comissão de inquérito disse que tanto o governo de George W. Bush quanto de Bill Clinton demoraram demais em vencer a pressão dipliomática e partir para a ação militar direta contra os líderes da Al-Qaeda. |
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