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Atualizado às: 23 de março, 2004 - 18h51 GMT (15h51 Brasília)
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Bush não recebeu de Clinton plano antiterror, diz Powell
Colin Powell, secretário de Estado americano
Powell rebateu críticas ao governo Bush durante depoimento
O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse nesta terça-feira que o governo de George W. Bush foi informado pela equipe de Bill Clinton sobre as ameaças que a Al-Qaeda e o Talebã representavam, mas não recebeu um plano de ação contra o terrorismo da administração anterior.

Em depoimento à comissão independente americana que investiga as circunstâncias que cercaram os atentados de 11 de setembro de 2001, Powell rebateu as críticas de que o governo Bush menosprezou a organização Al-Qaeda.

De acordo com Powell, assim que assumiu o governo, a equipe de Bush já sabia que o terrorismo seria uma grande preocupação para os Estados Unidos. Desde então, disse o secretário de Estado, o presidente Bush cobrou de seus assessores uma estratégia ampla para destruir a Al-Qaeda.

Powell afirmou que, depois de receber as informações sobre segurança da administração Clinton, Bush pediu que sua equipe adotasse uma postura mais agressiva. "Estou cansado de mata-moscas", disse o presidente, segundo o secretário de Estado.

Política revista

Durante o depoimento desta terça-feira, Powell disse que a formulação da nova política de combate ao terrorismo do governo americano exigiu tempo e precisou ser completamente revista após os ataques de 11 de setembro.

De acordo com Powell, as autoridades americanas acreditavam que a ameaça teria origem no exterior e não estavam cientes de que os responsáveis pelos ataques, na verdade, já estavam nos Estados Unidos.

O secretário de Estado disse ainda que a ação militar do governo americano contra a Al-Qaeda – assim como contra um "refúgio para terroristas" ao "liberar o Iraque" – não eliminou a ameaça terrorista contra alvos americanos.

Powell foi a segunda testemunha a prestar depoimento na oitava audiência pública da comissão bipartidária criada em 2002 para investigar o 11 de Setembro.

As audiências abordam "a formulação e a condução da política de contraterrorismo dos Estados Unidos, com ênfase em particular no período entre os atentados de agosto de 1998 (no Quênia e na Tanzânia) e 11 de setembro de 2001".

Antes de Powell, Madeleine Albright, secretária de Estado americana durante o governo de Bill Clinton, também prestou depoimento e disse que o então presidente e sua equipe fizeram tudo o que podiam para acabar com a Al-Qaeda.

Além de Albright e Powell, o atual secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o seu antecessor, William Cohen, também prestam depoimento à comissão nesta terça-feira.

'Oportunismo'

A investigação da comissão independente ocorre logo após as declarações de Richard Clarke, ex-assessor antiterrorismo da Casa Branca, que acusou o governo Bush de ignorar a ameaça representada pela Al-Qaeda antes dos atentados de 11 de setembro para se concentrar em atacar o Iraque. Na quarta-feira, Clarke também deve prestar depoimento à comissão.

O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, acusou Clarke de oportunismo político por criticar o governo poucos meses antes das eleições presidenciais marcadas para novembro.

O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que Clarke nitidamente ignorava muito daquilo que estava ocorrendo quando atuava como assessor da Casa Branca.

World Trade Center, 11 de setembro de 2001
Comissão investiga circunstâncias que cercaram atentados de 11/09

Cheney também questionou a eficácia de Clarke como articulador de esforços antiterroristas e citou como exemplos os ataques às embaixadas americanas no leste da África em 1998.

O presidente da comissão independente, Thomas Kean, disse lamentar que a assessora de Segurança Nacional do governo Bush, Condoleezza Rice, tenha recusado o convite para depor à investigação.

Kean afirmou, no entanto, que os membros da comissão participaram de "abrangentes" encontros privados com Rice e que a assessora de Bush "cooperou" com a investigação.

Na quarta-feira, a comissão também deve ouvir os depoimentos de Sandy Berger, assessor de Segurança Nacional do governo Clinton, e George Tenet, diretor da CIA (agência de inteligência americana).

Um comunicado da comissão, apresentado antes das audiências, se concentrou nos esforços diplomáticos dos Estados Unidos durante o governo Clinton para tentar prender Osama Bin Laden e levá-lo a julgamento.

O comunicado disse ainda que o governo Bush não desenvolveu iniciativas diplomáticas para lidar com a Al-Qaeda.

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