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Bush não recebeu de Clinton plano antiterror, diz Powell | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Estado americano, Colin Powell, disse nesta terça-feira que o governo de George W. Bush foi informado pela equipe de Bill Clinton sobre as ameaças que a Al-Qaeda e o Talebã representavam, mas não recebeu um plano de ação contra o terrorismo da administração anterior. Em depoimento à comissão independente americana que investiga as circunstâncias que cercaram os atentados de 11 de setembro de 2001, Powell rebateu as críticas de que o governo Bush menosprezou a organização Al-Qaeda. De acordo com Powell, assim que assumiu o governo, a equipe de Bush já sabia que o terrorismo seria uma grande preocupação para os Estados Unidos. Desde então, disse o secretário de Estado, o presidente Bush cobrou de seus assessores uma estratégia ampla para destruir a Al-Qaeda. Powell afirmou que, depois de receber as informações sobre segurança da administração Clinton, Bush pediu que sua equipe adotasse uma postura mais agressiva. "Estou cansado de mata-moscas", disse o presidente, segundo o secretário de Estado. Política revista Durante o depoimento desta terça-feira, Powell disse que a formulação da nova política de combate ao terrorismo do governo americano exigiu tempo e precisou ser completamente revista após os ataques de 11 de setembro. De acordo com Powell, as autoridades americanas acreditavam que a ameaça teria origem no exterior e não estavam cientes de que os responsáveis pelos ataques, na verdade, já estavam nos Estados Unidos. O secretário de Estado disse ainda que a ação militar do governo americano contra a Al-Qaeda – assim como contra um "refúgio para terroristas" ao "liberar o Iraque" – não eliminou a ameaça terrorista contra alvos americanos. Powell foi a segunda testemunha a prestar depoimento na oitava audiência pública da comissão bipartidária criada em 2002 para investigar o 11 de Setembro. As audiências abordam "a formulação e a condução da política de contraterrorismo dos Estados Unidos, com ênfase em particular no período entre os atentados de agosto de 1998 (no Quênia e na Tanzânia) e 11 de setembro de 2001". Antes de Powell, Madeleine Albright, secretária de Estado americana durante o governo de Bill Clinton, também prestou depoimento e disse que o então presidente e sua equipe fizeram tudo o que podiam para acabar com a Al-Qaeda. Além de Albright e Powell, o atual secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, e o seu antecessor, William Cohen, também prestam depoimento à comissão nesta terça-feira. 'Oportunismo' A investigação da comissão independente ocorre logo após as declarações de Richard Clarke, ex-assessor antiterrorismo da Casa Branca, que acusou o governo Bush de ignorar a ameaça representada pela Al-Qaeda antes dos atentados de 11 de setembro para se concentrar em atacar o Iraque. Na quarta-feira, Clarke também deve prestar depoimento à comissão. O porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, acusou Clarke de oportunismo político por criticar o governo poucos meses antes das eleições presidenciais marcadas para novembro. O vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que Clarke nitidamente ignorava muito daquilo que estava ocorrendo quando atuava como assessor da Casa Branca.
Cheney também questionou a eficácia de Clarke como articulador de esforços antiterroristas e citou como exemplos os ataques às embaixadas americanas no leste da África em 1998. O presidente da comissão independente, Thomas Kean, disse lamentar que a assessora de Segurança Nacional do governo Bush, Condoleezza Rice, tenha recusado o convite para depor à investigação. Kean afirmou, no entanto, que os membros da comissão participaram de "abrangentes" encontros privados com Rice e que a assessora de Bush "cooperou" com a investigação. Na quarta-feira, a comissão também deve ouvir os depoimentos de Sandy Berger, assessor de Segurança Nacional do governo Clinton, e George Tenet, diretor da CIA (agência de inteligência americana). Um comunicado da comissão, apresentado antes das audiências, se concentrou nos esforços diplomáticos dos Estados Unidos durante o governo Clinton para tentar prender Osama Bin Laden e levá-lo a julgamento. O comunicado disse ainda que o governo Bush não desenvolveu iniciativas diplomáticas para lidar com a Al-Qaeda. |
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