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Guerra barata de Rumsfeld tem preço incalculável | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A guerra acabou. A guerra idealizada e executada por Donald Rumsfeld, que a revista Newsweek define como o mais poderoso secretário de Defesa na história americana. O vice-presidente, Richard Cheney, vai mais longe. Garante que seu amigo do peito no Pentágono é a melhor pessoa que já operou o maior aparato de guerra do mundo. O New York Times lembra que houve um tempo, há pouco mais de um ano, quando o presidente George W. Bush anunciava que a missão estava cumprida no Iraque, em que Rumsfeld ao menos parecia ter uma visão tática brilhante. Uma máquina militar enxuta, rápida e implacável arrasou no Iraque. Por que se preocupar com a carga da ocupação ou com alguns casos isolados de maus tratos de prisioneiros? As tropas, afinal, seriam recebidas como libertadoras. Comparação histórica Quando a Alemanha se rendeu em maio de 1945, o Exército americano tinha 1,6 milhão de soldados no país ocupado. Era uma média de um soldado por 40 civis. Agora no Iraque são 160 mil integrantes das forças da coalizão lideradas pelos EUA. Isto significa um soldado por 160 civis e num cenário de insurgência. Um estudo do analista militar James Quinlivan, da Rand Corporation, concluiu que no mínimo os ocupantes de um território deveriam ter um soldado por 50 civis quando há insurgentes em atividade. Quando o ex-chefe do Estado-Maior do Exército, general Eric Shinseki, advertiu no Congresso que seriam necessários centenas de milhares de soldados por alguns anos para invadir e ocupar o Iraque, ele foi tratado com desdém por Paul Wolfowitz, o lugar-tenente de Rumsfeld. A insistência de Rumsfeld sempre foi por uma guerra barata. Deu em uma tropa de reservistas destreinados a cargo de iraquianos na prisão de Abu Ghraib. E o quadro apenas se agravou com o conhecido desprezo do secretário de Defesa pelas convenções de Genebra. O barato está saindo caríssimo. A rigor, o preço é incalculável. Os americanos poderão pagar por décadas pelo escândalo de torturas de iraquianos. Como a foto da menina vítima de napalm no Vietnã, uma cena inesquecível do Iraque será a da recruta Lynndie England segurando um detido em Abu Ghraib pela coleira. O massacre de civis vietnamitas em Mai Lai foi muito mais grave do que aconteceu em Abu Ghraib, sem falar também, é claro, da decapitação agora do americano Nick Berg por terroristas islâmicos. Mas o ponto é a pretensão desacreditada de liderança moral do governo Bush no Oriente Médio, em nome da civilização ocidental. A guerra de Rumsfeld acabou porque ele falhou. Evidentemente é cedo para fazer um balanço histórico da intervenção americana no Iraque. Para inglês e o resto do mundo verem, o presidente Bush diz que o curso está sendo mantido no Iraque, mas na prática há alterações, entre elas uma atitude mais realista em relação à situação local. Os americanos não foram recebidos como libertadores, há crescente hostilidade e é preciso negociar com mais humildade com os iraquianos. A guerra continua e seguramente com a coleira da recruta Lynndie England não haverá vitória para ninguém. |
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