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Caio Blinder: Senador John Kerry, preferência nacional | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Derrotar os rivais sulistas John Edwards e Wesley Clark no quintal deles, nas eleições primárias realizadas na terça-feira nos Estados de Virgínia e Tennessee, de certa maneira teve um impacto secundário para o franco favorito John Kerry, senador do nortista Estado de Massachusetts. Afinal, já são 12 vitórias em 14 prévias realizadas pelos democratas. Há uma semana, Edwards, o senador pela Carolina do Norte, arrancou uma vitória na vizinha Carolina do Sul e o general Clark, criado em Arkansas, suou para vencer no vizinho Oklahoma. Ambos não conseguiram repetir a proeza nesta semana em Estados do lado da casa de cada um. Isto mostra que o avanço de Kerry se tornou um rolo compressor. Boca-de-urna Mais do que isto, as pesquisas de boca-de-urna mostram que os eleitores democratas que votaram em Virgínia e Tennessee, em número esmagador, acreditam que Kerry tem chances de derrotar o presidente republicano George W. Bush nas eleições de novembro. Estas duas vitórias no sul simplesmente confirmaram o alcance nacional do rolo compressor Kerry. Ele já venceu em todas as partes do país e, na terça-feira, este rolo compressor esmagou Clark, que decidiu abandonar a corrida. Há um senso de inevitabilidade de que o senador por Massachusetts é o candidato. Os outros dois rivais – John Edwards e Howard Dean – garantem que irão permanecer na corrida. É teimosia ou esperança num milagre. Eles não têm mais para onde ir. Dean parece não aceitar a realidade eleitoral. O ex-governador de Vermont era o favorito antes do início da corrida. Está agora em uma situação desoladora e dá sinais de desorientação. Havia prometido um vai-ou-racha nas primárias de Wisconsin na terça-feira que vem, que deverão dar a vitória para Kerry. Dean diz que mudou de idéia e ficará na corrida até a 'Super Terça', em 2 de março, quando haverá disputas em dez Estados, inclusive Califórnia e Nova York. Já o general Clark tornou-se supérfluo e ficou evidente que não estava preparado para batalhas presidenciais. Sua candidatura até tinha lógica quando Dean era favorito e a campanha de Kerry, um outro herói de guerra, estava moribunda. Agora, Dean está moribundo e Kerry avança em ritmo de blitzkrieg. O segundo lugar Edwards insiste que é o único capaz de encarar Kerry, mas seu impacto fica ainda mais difuso diante da insistência de Dean de continuar mais algum tempo na disputa. Ansiedade Há muita ansiedade diante do cenário do democrata nortista Kerry competindo no sul republicano contra Bush. Ele está se dando bem no teste das primárias democratas, mas é outra coisa nas eleições gerais. Em cinco das últimas sete disputas presidenciais, os democratas optaram por um candidato sulista. O último lance da estratégia sulista do partido foi um vexame. Al Gore não levou nenhum Estado do Sul (com a possível exceção da controvertida votação na Flórida), nem o seu Tennessee. Agora, muitos democratas insinuam que talvez seja possível vencer em novembro simplesmente sem nenhuma vitória no sul. Larry Sabato, professor da Universidade de Virgínia, calcula que basta Kerry triunfar nos mesmos 20 Estados que votaram em Gore em 2000 e adicionar algum prêmio expressivo no meio-oeste, como Ohio. É uma estratégia arriscada, mas John Kerry já mostrou que é capaz de surpreender. |
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