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Atualizado às: 28 de janeiro, 2004 - 11h26 GMT (09h26 Brasília)
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Análise: o momento do tenente Kerry

New Hampshire é história. A corrida das primárias democratas continua, agora com a clara, mas não cristalizada, liderança do senador John Kerry.

Ele teve uma expressiva vitória em New Hampshire, conseguindo uma vantagem sobre o segundo colocado, Howard Dean, de dois dígitos (39% a 26%). Mas vamos colocar este Estado do nordeste americano no seu devido lugar. Ele é pequeno, na geografia, na população e na política.

Tudo bem, New Hampshire tem uma mística que subsiste há mais de 50 anos: nenhum presidente foi eleito sem terminar ali em primeiro ou em segundo. E daí?

Tabus podem ser quebrados. Esta é uma corrida de reviravoltas. Em uma era de noticiário instantâneo, um passo em falso muda o quadro repentinamente. Mais do que nunca, uma semana em política é uma eternidade.

Como Bill Clinton em 1992, Kerry diz que deu a volta por cima. Mas essa também é a mensagem de Howard Dean, que, após o vexame em Iowa, era dado por muitos como morto.

É mais correto diagnosticar o "doutor fúria" como gravemente ferido. Dean promoveu a condição de vice em New Hampshire como um "sólido"' segundo lugar. A sua expectativa, no entanto, era de uma margem mais apertada.

No jargão eleitoral do momento, Kerry tem momentum. Ele tem movimento. Triunfou primeiro em Iowa e agora em New Hampshire. Deve-se esse salto ao cálculo dos eleitores de que ele é o democrata mais qualificado, experiente e sereno para enfrentar o republicano George W. Bush em novembro.

Kerry, mais do que Dean, é visto como o candidato capaz de vencer nas primárias e também nas eleições gerais. Agora o senador por Massachussetts espera dar uma arrancada em uma rodada frenética de primárias em sete Estados na próxima terça-feira.

O bruxo eleitoral James Carville estima que a corrida das primárias democratas promete suspense por pelo menos um par de semanas, ou seja, é realmente prematuro assinar alguns obituários. Até o quarto lugar em New Hampshire, o senador John Edwards, considera "encorajadora" a sua colocação.

O sempre mordaz ex-senador Bob Dole rebaixou Wesley Clark de general para coronel porque o ex-comandante da Otan ainda não mostrou a que veio. Esperava ao menos um segundo lugar em New Hampshire. Terminou num terceiro no seu batismo de fogo eleitoral. Levou chumbo do tenente Kerry e do recruta Dean.

Como Edwards, Clark espera promoções nas batalhas das primárias que serão travadas no sul e oeste dos Estados Unidos a partir da próxima semana. É território supostamente mais familiar para ambos, mas uma contra-ofensiva dos dois será suada, para não dizer quixotesca. Kerry tem o tal do momentum, e Dean provou em New Hampshire que ainda é um galo bom de briga.

A política de varejo de New Hampshire acabou. Não dá mais para ficar batendo de porta em porta ou fritar panquecas. Agora são múltiplas primárias, com muita campanha feita na televisão.

O báu de fundos de campanha de Dean ainda está recheado, e para Kerry será mais fácil conseguir dinheiro, tirando proveito de sua condição de líder.

A liderança, porém, expõe Kerry a mais ataques dos seus adversários democratas. Nas próximas semanas, ele deve conciliar a defesa contra esse assédio e seus próprios ataques contra o adversário supremo de novembro.

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