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Caio Blinder: Primárias definem Kerry como o mais forte | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na corrida das primárias democratas, marcada pelas habituais emoções e surpresas, uma das frases lapidares é que os eleitores namoraram Howard Dean e casaram com John Kerry. A pérola é disseminada pelos assessores da campanha do senador por Massachussetts – que nas disputas de terça-feira venceu em cinco dos sete Estados em jogo, consolidando sua liderança. Já os assessores do senador John Edwards – que ganhou oxigênio com sua convincente vitória na Carolina do Sul e um poderoso segundo lugar em Oklahoma – advertem que o romance eleitoral ainda não está consumado. Aliás, nem a namorada esnobada – o ex-governador de Vermont Howard Dean – deixa de sonhar. Dean insiste pateticamente que ninguém conhece as razões do coração e, com paixão, a massa democrata ainda pode abraçá-lo. Ironicamente, em uma decisão tática fatal, foi Dean quem deu uma esnobada nos eleitores e relegou a um plano secundário as disputas de terça-feira em sete Estados em que estavam em jogo 269 delegados, ou o correspondente a 10% dos votos necessários para a vitória. Sem dinheiro e sem pique, Dean resolveu guardar seus cartuchos para as próximas primárias. O fato concreto é que o médico impetuoso e furioso, que liderava antes do início efetivo da corrida das primárias, ainda não faturou nada. Mais forte Enquanto isso, Kerry vai faturando. Política tem emoções, mas também, cálculo frio. E os eleitores calcularam que o senador de Massachussetts – com suas histórias de heroísmo na guerra do Vietnã, credibilidade em questões de segurança nacional e experiência em Washington – é a melhor arma para derrotar George W. Bush em novembro. Muita água ainda vai rolar, mas pesquisas esta semana mostram que se as eleições fossem hoje Kerry derrotaria Bush. Dean talvez tenha injetado paixão nesta campanha democrata, mas no final das contas fez a cama para Kerry.
O senador por Massachussetts é sólido, mas tem seus flancos. Os estrategistas republicanos já sinalizaram como pretendem pegar Kerry na campanha suprema. Ele é liberal demais (pior do que seu colega de Massachussetts Ted Kennedy), não possui um patrimônio legislativo de peso e vem do nordeste americano. Desde 1960, com John Kennedy, que também foi senador por Massachussetts – a região não emplaca um presidente democrata. Curiosamente, o sempre furioso, e agora desesperado Dean, passou a acusar Kerry de ser um republicano. Dean, no entanto, deixou de ser a grande ameaça para o favorito. Para Kerry, é hora de uma dança com John Edwards. Na coreografia, interessa para o senador por Massachussetts que o general da reserva Wesley Clark – que venceu em Oklahoma – sobreviva por mais algumas semanas para enfraquecer Edwards. Mas será difícil. Com sua energia, otimismo e populismo econômico, Edwards se consolidou na segunda posição. O plano do comando do Partido Democrata era de fato que das disputas em Iowa, New Hampshire e dos sete Estados na terça-feira emergissem apenas dois fortes concorrentes. E após semanas frenéticas, na chamada super-terça-feira de 2 de março – com primárias em Estados como California e Nova York –, se cristalize o nome do candidato democrata. Tudo leva a crer que este candidato será John Kerry. Edwards ainda é um rival, mas estrategistas democratas se excitam com o cenário de uma chapa unindo o senador nortista de Massachussetts com o senador sulista da Carolina do Norte. Até agora, Edwards rechaça a idéia de ser candidato a vice. Compreensível, pois ele quer manter a postura competitiva. As especulações sobre a chapa democrata talvez sejam prematuras, mas não será uma surpresa se em questão de semanas, Kerry começar a flertar com John Edwards. |
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