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Entenda a importância do 'Super 7' para as primárias nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Democratas de sete Estados americanos votarão nesta terça-feira para escolher o candidato que disputará pelo partido as eleições contra o atual presidente George W. Bush. Leia a seguir algumas perguntas e respostas sobre como funcionam e qual a importância dessas primárias. O que é o Super Sete? Haverá votação em sete Estados na mesma noite, parte do processo de escolha do candidato do Partido Democrata que disputará a Casa Branca. Em 3 de fevereiro, o partido terá primárias em Arizona, Delaware, Missouri, Oklahoma e Carolina do Sul. Em outros dois Estados, Novo México e Dakota do Norte, a escolha se dará por meio do processo conhecido como cáucus. Qual a diferença entre esta votação e aquelas já feitas em Iowa e New Hampshire? Por ser uma votação espalhada por sete Estados, o Super Sete é visto como algo mais próximo de uma eleição nacional. Pela primeira vez na campanha, os democratas sentirão as tendências de grupos eleitorais específicos como os afro-americanos, os hispânicos e os moradores do sul do país. Iowa e New Hampshire têm orgulho de realizar, respectivamente, o primeiro cáucus e a primeira primária. Mas seus moradores não são representativos do eleitorado como um todo dos Estados Unidos. Por exemplo, na disputa interna democrata de 1992, o então pré-candidato Bill Clinton recebeu apoio de apenas 2,8% dos eleitores no cáucus de Iowa e ficou num distante segundo lugar em New Hampshire. Ele acabou recebendo a indicação e se elegendo presidente. Qual a importância dos votos desses sete Estados? Se a vitória surpreendente de John Kerry em Iowa ajudou a deixar a disputa totalmente em aberto, o resultado do Super Sete voltará a fechar o gargalo da competição pela indicação democrata. O secretário-geral do partido, Terry McAuliffe, pediu àqueles candidatos que não tiverem ganhado em pelo menos um Estado após 3 de fevereiro que reconsiderem se desejam ou não seguir na disputa.
Isso coloca muita pressão sobre os candidatos que eram vistos como favoritos – como, por exemplo, Howard Dean e o ex-general Wesley Clark – assim como sobre aqueles vistos como apenas figurantes (Al Sharpton e Dennis Kucinich). Os candidatos terão de modificar o estilo de suas campanhas? Isso de certa forma já vem acontecendo, à medida que eles percebem como seus pontos fortes e fracos influenciam os votos do eleitorado democrata. Ridicularizado após um grito descontrolado de empolgação durante um comício em Iowa, Howard Dean voltou a agir de forma mais conservadora. Já o senador Kerry, tido como um político frio e distante, tenta se mostrar mais próximo das pessoas. Mas com regiões tão diferentes do país envolvidas na votação, os candidatos tentam se vender como tudo para todos, escolhendo apenas algumas mensagens específicas reservadas ao público de cada Estado. Uma posição contra a guerra pode não pegar tão bem no Sul, onde ficam muitas bases militares. Ao mesmo tempo, controles de imigração são uma questão mais relevante nos Estados sulistas que no Nordeste ou Meio Oeste. Edwards e Clark vão certamente tentar ganhar pontos por serem originários do Sul na disputa na Carolina do Sul. Sharpton também poderia ser favorecido neste Estado em razão do grande número de eleitores negros. A disputa pela indicação democrata está ficando mais dura? A própria natureza de uma disputa em sete Estados ao mesmo tempo a torna mais difícil que as votações anteriores, restritas a apenas um Estado.
Ficar em apenas um lugar não é necessariamente vantajoso ao candidato – como observaram Joe Lieberman e Wesley Clark, que optaram por não disputar o cáucus de Iowa para concentrar esforços em New Hampshire. A maioria dos candidatos tentará estar fisicamente presente no maior número de Estados possível. Isso custará tempo e energia, assim como muito dinheiro de campanha. Kerry lançou anúncios na televisão em todos os sete Estados, enquanto Dean preferiu não veicular nenhum comercial e economizar recursos para futuras disputas. Na mente de todos está o fato de que todo o dinheiro gasto agora não estará mais disponível para o grande confronto contra o presidente Bush no final do ano. Não faria sentido ganhar as primárias democratas e depois não ter como enfrentar o candidato republicano, que já vem arrecadando valores substanciais. A disputa, então, já estará concluída após o Super Sete? Não. Até mesmo os vitoriosos ainda terão um longo caminho pela frente para conseguir o número de delegados estaduais que lhes garantam a indicação na convenção nacional democrata. Há muito mais delegados em jogo no Super Sete do que havia em Iowa ou New Hampshire. Se um candidato vencesse em todos, teria 12% do total de delegados necessários. Ainda há adiante primárias em Estados bem mais populosos, que contam com maior número de delegados. A disputa, assim, ainda está longe do fim. |
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