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Análise: Bush suaviza política para o Oriente Médio | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em meio ao escândalo de tortura de prisioneiros no Iraque, o presidente George W. Bush parece buscar suavizar a política americana para o Oriente Médio. Bush não só pediu desculpas pela humilhação dos presos iraquianos, como também concordou em entregar aos palestinos uma carta explicando o que eles devem esperar obter em futuras negociações de paz. Tal carta vinha sendo sugerida pelo rei da Jordânia, mas a idéia sofria resistência em Washington até agora. O governo dos Estados Unidos parece estar reavaliando a sua política para a região e, certamente, estudando novas formas de apresentá-la. É muito difícil dar aulas aos outros num momento em que os americanos parecem ter perdido a moralidade para fazê-lo. Concessões Há poucos dias, o rei Abdullah tentava convencer os americanos a dar aos palestinos uma carta semelhante àquela apresentada pelo secretário de Estado, Colin Powell, a Israel durante visita do primeiro-ministro Ariel Sharon a Washington. A carta aos palestinos provavelmente ainda está sendo redigida, e ninguém sabe se o seu conteúdo será contundente. De todo modo, ela já seria uma importante concessão da Casa Branca. A carta seria importante não apenas por seu eventual conteúdo, mas como uma maneira de os Estados Unidos voltarem a ser vistos como mediador imparcial das negociações israelo-palestinas. E esta não será a primeira concessão americana no Oriente Médio. Diplomatas europeus disseram que obtiveram mais dos americanos do que esperavam numa reunião esta semana do Quarteto (grupo formado pelos Estados Unidos, ONU, União Européia e Rússia e que tenta mediar um acordo de paz no Oriente Médio). As concessões poderiam ser uma admissão tácita de que o governo americano subestimou o estrago que o apoio ao plano de Sharon de retirada unilateral de Gaza faria à sua imagem. Mas parte desse recuo obviamente é em decorrência do escândalo no Iraque. Direitos Humanos O Departamento de Estado tinha planejado publicar o seu relatório anual sobre os direitos humanos no mundo esta semana. A publicação foi adiada, devido ao que as autoridades classificaram como problemas com a impressão. Mas agora tem sido noticiado que o governo sentiu-se um pouco acuado para criticar o resto do mundo sobre violações aos direitos humanos no atual momento político, com denúncias de abusos praticados pelos americanos no Iraque. Muitos em Washington observam essas iniciativas como uma mudança na balança de forças entre o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, e Colin Powell, que teria saído fortalecido. Rumsfeld recebeu advertência de Bush esta semana pela forma como atuou com relação aos casos de tortura de prisioneiros iraquianos. Mas o escândalo também enfraqueceu o presidente, que parece agora ter perdido a nitidez moral e se ocupa em controlar os estragos causados nos planos doméstico e internacional. E este é um escândalo que ainda não terminou. |
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