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Atualizado às: 06 de maio, 2004 - 08h32 GMT (05h32 Brasília)
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'Washington Post' divulga novas fotos de abusos no Iraque
Depois de o presidente George W. Bush aparecer na televisão arábe para afirmar que os responsáveis pelos maus tratos no Iraque serão punidos, o jornal americano The Washington Post publicou uma nova série de fotos aparentemente mostrando abusos de prisioneiros iraquianos por parte de soldados americanos.

Entre as fotos, estão a de um prisioneiro nu preso pelo que parece ser uma coleira e a de um soldado americano fazendo sinal de vitória ao lado do que seria um corpo.

As últimas revelações de possíveis abusos devem aumentar ainda mais a pressão sobre o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, criticado pela forma com a qual o governo Bush lida com o escândalo.

Fontes na Casa Branca afirmam que Bush teria repreendido Rumsfeld, particularmente, por isso.

Rumsfeld

Um correspondente da BBC em Washington diz que o secretário de Defesa pode ser obrigado a renunciar depois que for interrogado por um comitê ligado à segurança do Senado americano, nesta sexta-feira.

Os senadores querem perguntar a Rumsfeld por que o Senado não estaria a par de todos os acontecimentos sobre a questão dos abusos no Iraque.

Cidadãos de países árabes também mostram-se preocupados com o que ocorre no Iraque. Eles criticaram a entrevista concedida pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a duas emissoras de TV árabes na quarta-feira.

Muitos manifestaram decepção com as palavras do presidente, que não pediu desculpas pelos abusos contra iraquianos mostrados em fotos divulgadas nos últimos dias.

“Bush não foi sincero nas suas promessas”, disse em Bagdá Ahmed Mohammed, um iraquiano de Tikrit, à agência de notícias France Presse. “Se os americanos fossem sinceros, eles não teriam permitido que tais crimes contra o povo iraquiano tivessem ocorrido.”

Outro iraquiano, Sari Mouwaffaq, disse à agência de notícias Associated Press que “as declarações de Bush (...) não vão restaurar a dignidade que os detentos torturados perderam”.

Um correspondente da BBC na capital egípcia, Cairo, disse que algumas pessoas disseram que Bush não pareceu revoltado o suficiente nas entrevistas, concedidas às redes Al-Hurra e Al-Arabiya.

Indignação

No Cairo, o advogado Adli Henri manifestou indignação durante uma das entrevistas de Bush, quando o presidente disse que os abusos foram obra de um pequeno número de pessoas.

“É óbvio! Ele quer limitar isso a certas pessoas”, disse ele à Associated Press.

Outro advogado ouvido pela mesma agência no Cairo, Abdel Gawad Ahmed, disse que o argumento de Bush é o mesmo que é usado “quando acontece um ato terrorista".

Mas nem todos criticaram as palavras do presidente dos Estados Unidos.

News image
O presidente não pediu desculpas aos iraquianos durante entrevistas

“Houve muitos genocídios que foram cometidos e ninguém se atrevia a revelá-los na época (do regime de Saddam Hussein), e agora oficiais do antigo regime não tentam pedir desculpas”, disse Raad Youssef, um professor de Bagdá.

“A tentativa de Bush de consertar o estrago é algo bom, na minha opinião.”

Centenas de iraquianos realizaram um protesto nesta quarta-feira próximo à prisão de Abu Ghraib, na região de Bagdá. Foi nessa prisão onde teriam ocorridos abusos mostrados nas fotos.

Segundo jornalistas convidados a entrar na prisão, os administradores disseram que foram feitas mudanças na forma como ocorrem interrogatórios, para evitar novos maus-tratos.

Kerry e verbas

Nos Estados Unidos, o provável adversário democrata der Bush nas eleições presidenciais deste ano, John Kerry, também criticou a forma como o mandatário americano regiu à divulgação das fotos de abusos.

Segundo Kerry, a resposta de Bush foi lenta e inapropriada, e ele pediu que o presidente assuma plena responsabilidade e peça desculpas pelo ocorrido, se for necessário.

Também na quarta-feira, o governo americano divulgou ter pedido ao Congresso que libere mais US$ 25 bilhões para financiar atividades militares no Iraque e no Afeganistão.

Uma declaração divulgada pela Casa Branca diz que a verba é necessária por causa do aumento das necessidades das tropas americanas em território iraquiano.

O pedido quebra uma promessa anterior feita pelo Executivo ao Congresso de que mais verbas não seriam solicitadas antes das eleições presidenciais de novembro nos Estados Unidos.

Nesta semana, Donald Rumsfeld, anunciou que manterá o atual número de soldados em solo iraquiano – cerca de 135 mil – além do prazo adicional de 90 dias anunciados no mês passado, o que se reflete num aumento de gastos.

As operações no Iraque e no Afeganistão já custaram ao contribuinte americano US$ 160 bilhões em verbas extras.


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