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Iraque vira questão central das eleições americanas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o discurso feito na segunda-feira à noite, o presidente George W. Bush iniciou uma maratona de iniciativas politicas e de relações públicas para reassegurar os eleitores americanos e o resto do mundo que a autodeterminação e a estabilidade estão próximas no Iraque. O que a Casa Branca define como uma "clara estratégia" colide com a explosiva realidade no país ocupado e com o crescente ceticismo da opinião pública americana de que há luz no fim do túnel. O discurso de segunda-feira foi o primeiro de uma série que deve perdurar até a devolução da soberania simbólica aos iraquianos em 30 de junho. O pronunciamento competiu com uma nova avalanche de pesquisas revelando que a taxa de aprovação do presidente está no seu patamar mais baixo em três anos e meio de mandato. Esperança A pesquisa Washington Post/ABC mostra que a aprovação de Bush caiu para 47%. É um consolo. O índice da rede de televisão CBS é de 41%. Sem suar muito e sem brilhar, o desafiante democrata John Kerry está empatado com o presidente nesta fase da corrida eleitoral. O senador por Massachussetts prefere não marcar o concorrente com agressividade, com o presidente sendo a vítima de feridas autoinflingidas, como o escândalo de tortura de prisioneiros iraquianos. A Casa Branca esperava que algumas boas noticías na frente econômica, como a criação de 900 mil empregos nos últimos quatro meses, contribuíssem para cicatrizar as feridas iraquianas. Paralelos A economia, no entanto, não parece ser um fator suficientemente vigoroso para redefinir a corrida eleitoral. Há indicações que desta vez a política externa irá decidir quem vai ficar na Casa Branca. Na campanha de 1992, que levou Bill Clinton ao poder, o estrategista democrata James Carville cunhou a frase antológica "é a economia, estúpido". Não é preciso insultar ninguém para sinalizar que em 2004 é o Iraque. Bem, não estamos em 1992. Então, qual é o melhor paralelo? Os republicanos preferem associações com 1972 quando Richard Nixon destroçou o democrata George McGovern. Venceu em 49 dos 50 estados americanos. Assim como Bush, Nixon era uma figura que polarizava e estava no seu atoleiro, o Vietnã. O republicano conseguiu se safar dizendo que tinha um plano para acabar com a guerra e pintando seu oponente como um liberal conivente com "ácido, anistia e aborto". Uma linha de ataque semelhante já está sendo seguida contra Kerry. Os democratas preferem comparar as aflições de Bush com as de Jimmy Carter, que não conseguiu a reeleição em 1980 ao competir contra Ronald Reagan. Carter não escapou de uma crise externa (os reféns americanos no Irã) e com a aproximação das eleições estava consolidada sua imagem de inépcia. Carter perdeu em 44 estados. Há pontos fracos nas duas comparações. Se o referencial é 1972, John Kerry não ensaia uma repetição do desastroso desempenho de McGovern e os democratas desta vez cerraram fileiras em torno do seu candidato. Se o marco é 1980, Bush ainda está muito longe da "malaise" que afligiu Carter, hoje mais conhecido como um dos melhores ex-presidentes da história americana. Ironicamente, o melhor referencial para Bush é o próprio Bush. A eleição de 2004 pode ser como a do ano 2000: decidida por um punhado de votos, de preferência sem os dos juízes da Suprema Corte. |
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