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Atualizado às: 30 de março, 2004 - 18h03 GMT (14h03 Brasília)
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Rice depõe para evitar desgate de Bush

O livro de Richard Clarke, "Against All Enemies", no qual ele critica o presidente americano George W. Bush
Clarke diz que o governo Bush minimizou advertências sobre o perigo da rede Al-Qaeda
O governo Bush reverteu o curso. A assessora de segurança nacional, Condoleezza Rice, vai depor publicamente e sob juramento na comissão que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001.

É um fato espetacular. Um assessor de segurança nacional nos EUA deve aparecer pouco e escutar muito. Falar demais nunca é ideal.

Na prática isto nem sempre acontece. No governo Nixon, Henry Kissinger era uma celebridade. O ego gerava tanta evidência.

Condoleezza Rice está aparecendo muito por necessidade. E vai aparecer muito mais.

Acusações

Há dias, ela é infatigável em entrevistas à televisão para rebater as acusações (muitas delas pessoais) desferidas por seu ex-assessor de contra-terrorismo, Richard Clarke, de que o governo Bush minimizou a ameaça da rede Al-Qaeda antes dos atentados terroristas de 2001.

Até agora, Condoleezza Rice (Condi, para os íntimos) só se recusara a aparecer diante da comissão bipartidária que investiga os atentados (Clarke compareceu na quarta-feira passada) para um depoimento público e sob juramento.

Ela já prestara um depoimento, só que privado e não sob juramento. Mesmo integrantes republicanos da comissão criada pelo Congresso estavam frustrados, para não dizer furiosos, com essa atitude.

A Casa Branca invocou privilégio executivo, ou seja, o presidente deve estar capacitado para conversar candidamente com um alto assessor sem subseqüente escrutínio do Poder Legislativo.

Membros do gabinete que precisam ser aprovados pelo Senado depõem quando convocados. Mas a recusa vale para o assessor de segurança nacional, pois o seu nome não passa pelo crivo do Congresso.

O contra-argumento é que devem existir precedentes, e 11 de setembro é um evento que rompeu as regras do jogo.

Comissão

O duelo com a comissão estava desgastando a Casa Branca. Um dos mais conservadores integrantes da comissão, John Lehman, simplesmente definira a atitude de recusa como uma "asneira política".

Não é à toa que o governo Bush se desdobrou em busca de um compromisso com a comissão bipartidária nesta questão do depoimento de Condi. O acordo foi finalmente revelado nesta terça-feira.

Pelo acordo, o depoimento de Condoleezza Rice não deverá abrir um precedente para outra aparições.

Em uma outra concessão, a Casa Branca concordou que tanto o presidente como o vice, Dick Cheney, deponham (privadamente) diante de toda a comissão e não apenas diante do seu chefe republicano e vice democrata como fora acertado anteriormente.

Neste ano eleitoral, segurança política é mais essencial do que nunca para o presidente Bush. No entanto, até agora o impacto do caso Richard Clarke é ambivalente.

Livro

Os americanos estão comprando o livro do ex-assessor, recheado de denúncias contra a Casa Branca.

Isso não quer dizer que estejam encampando sua história. Em parte, o impacto está sendo neutralizado pela bombástica campanha do governo Bush para desacreditar Clarke, que deve ser somada à maciça ofensiva de propaganda eleitoral desfechada em março.

Mas, em parte, é o cenário polarizado. As denúncias de Clarke reforçam as piores suspeitas de quem já desconfia desta Casa Branca republicana.

Para um outro setor da opinião pública, Clarke não passa de um instrumento eleitoral dos democratas.

Se formos esmiuçar as inúmeras pesquisas, há dados confusos. Bush continua sendo visto pelos eleitores como bem mais capacitado do que o desafiante democrata John Kerry para lidar com questões de segurança nacional, mas há uma erosão desta confiança.

No dado fundamental das intenções de voto, a disputa é muito equilibrada entre os dois concorrentes (com o independente Ralph Nader se mostrando em condições de ser novamente o fiel da balança, como no ano 2000).

A controvérsia Richard Clarke foi a surpresa de março. Qual será a de abril?

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