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Publicidade ajuda Bush a supreender nas pesquisas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente George W. Bush está sob um ataque cerrado da realidade. Abril já se revelou como o mês mais sangrento em um ano de ocupação americana no Iraque, em Washington há o questionamento sistemático das credenciais antiterroristas do presidente na comissão bipartidária que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001, a imprensa está indócil e livros como o recém-lançado "Plano de Ataque", do lendário jornalista Bob Woodward, expõem as rivalidades e maquiavelismos na corte republicana. São notícias supostamente perturbadoras para um presidente em campanha de reeleição e, no entanto, lá vai a bomba política: as últimas pesquisas mostram que Bush recuperou terreno em relação ao desafiante democrata, John Kerry. Na pesquisa do jornal Washington Post e rede de televisão ABC, o presidente tem 48% das intenções de voto, contra 43% para o senador democrata. Vantagem A enquete USA Today/CNN/Gallup confere 50% para Bush e 44% para Kerry. Uma blitz publicitária, centrada em comerciais de televisão, lançada em março ajuda a explicar não apenas a contenção do estrago para Bush, como a recuperação do terreno. Somente no mês passado, o comitê de reeleição do presidente gastou quase US$ 50 milhões, uma cifra sem precedentes para um estágio tão inicial da maratona eleitoral. Em contrapartida, Kerry andou sumido durante algumas semanas e só voltou à carga nos últimos dias. As pesquisas mostram que persiste o apoio da opinião publica à guerra no Iraque, embora não seja avassalador. Pouco mais da metade dos americanos estimam que os benefícios suplantam os custos. Para Andrew Kohut, diretor do Pew Research Center, existe mais apoio às tropas americanas em combate (e sofrendo baixas) do que um endosso ao comando de Bush. Opinião pública Ironicamente, as pesquisas mostram que a opinião pública até aceita a necessidade do envio de mais tropas americanas para o Iraque. Assim, ela está questionando uma pedra-de-toque da estratégia militar do governo Bush, em particular do seu secretário de Defesa, Donald Rumsfeld. Para a invasão, foram despachadas menos tropas para o Iraque do que os generais gostariam. E para a ocupação havia a aposta na vinda de mais tropas estrangeiras e um rápido e eficaz treinamento de contingentes policiais locais. Soldados estrangeiros estão batendo em retirada e a polícia local é um fiasco. Bush agora está diante do dilema estratégico (e eleitoral) de alterar os planos e bancar uma escalada militar nos próximos meses. Os democratas argumentam que as pesquisas indicam uma lenta erosão do apoio popular à condução presidencial da guerra e que o estrago para Bush se tornará em breve mais aparente, em especial se as coisas não melhorarem no Iraque. Desafio Mas há um paradoxo no sentimento popular: quanto maior é o desafio em questões de segurança nacional, mais os americanos questionam a capacidade de liderança dos democratas. O avanço de Bush nas pesquisas só foi possível porque acabou o deslumbramento dos americanos com John Kerry, na seqüência do seu triunfo nas prévias democratas no começo de março. Há dúvidas sobre a liderança de Bush, mas as dúvidas sobre Kerry são ainda maiores. Andrew Kohut conclui que até as eleições de novembro o terreno de percepções vai se aplainar e a disputa será acirrada, palmo a palmo. |
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